Uma segunda inseminação pode dar nova oportunidade às vacas que não emprenharam na primeira tentativa e aumentar a eficiência reprodutiva da pecuária de corte. A estratégia, chamada de ressincronização, permite repetir a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) ainda na mesma estação de monta.
Segundo estimativa apresentada por Fernando Furtado Velloso, diretor técnico da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a técnica pode resultar em 6% a 10% mais bezerros em comparação com o sistema que utiliza apenas uma IATF antes do repasse das matrizes com touros. O resultado, porém, depende das condições de cada rebanho.
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Segunda inseminação aproveita vacas que não emprenharam
Uma única IATF não gera gestação em todas as matrizes. Por isso, o produtor pode identificar as fêmeas que não emprenharam e submetê-las a um novo protocolo antes do fim da estação.
A Embrapa Pecuária Sudeste avaliou uma estratégia superprecoce com 245 fêmeas Nelore. Nesse protocolo, a segunda IATF ocorreu entre 22 e 24 dias após a primeira. Após a confirmação por ultrassonografia, o estudo registrou 60% de prenhez acumulada.
Além disso, a pesquisa mostrou que diagnósticos muito precoces exigem confirmação, já que algumas gestações identificadas inicialmente podem não ser confirmadas posteriormente.
Estudos mostram aumento da prenhez
Outro estudo avaliou 1.052 vacas Angus e Brangus no Rio Grande do Sul. Nos grupos que receberam uma segunda inseminação, a taxa de prenhez chegou a 81,5% e 83,7%, dependendo do momento da ressincronização. Já o grupo que recebeu uma IATF seguida de monta natural alcançou 71%.
Os resultados indicam potencial para ampliar o número de matrizes gestantes. Entretanto, o desempenho varia conforme a propriedade. Nutrição, condição corporal, sanidade, qualidade do sêmen, execução do protocolo e período pós-parto interferem na resposta das vacas.
Técnica pode antecipar nascimentos
Além de aumentar as oportunidades de prenhez, a segunda inseminação pode concentrar as concepções no início da estação de monta. Assim, parte dos bezerros pode nascer mais cedo e acumular mais dias de crescimento até a desmama.
A técnica também amplia as oportunidades de utilizar genética selecionada, já que o produtor pode escolher novamente o sêmen para as matrizes que não emprenharam na primeira IATF.
Manejo continua determinante
A ressincronização, entretanto, não corrige problemas de manejo. Condição corporal inadequada, deficiências nutricionais, doenças reprodutivas e falhas na conservação do sêmen ou na execução do protocolo podem reduzir os resultados.
Por isso, o produtor deve considerar os custos adicionais com medicamentos, sêmen, diagnóstico de gestação e mão de obra. O principal indicador não é apenas a taxa de prenhez, mas também o custo de cada gestação adicional e o número de bezerros que chega ao nascimento e à desmama.
Dessa forma, a ressincronização na IATF pode fazer parte de um planejamento reprodutivo mais eficiente, desde que o rebanho apresente condições adequadas e o protocolo seja executado corretamente.
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