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Bancos britânicos financiam alternativa à Visa e Mastercard

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Objetivo envolve redução da dependência de empresas americanasPé de Milha/Foto editada com IA

Os maiores bancos do Reino Unido começaram a levantar recursos para criar uma nova infraestrutura de pagamentos que, no futuro, poderá funcionar como alternativa doméstica à Visa e à Mastercard. A UK Payments Delivery Company (PDC), empresa criada para conduzir o projeto, pretende captar inicialmente cerca de 50 milhões de libras (R$ 347 milhões na cotação atual) com bancos, instituições de crédito e empresas de pagamentos.

A iniciativa representa uma nova etapa de um projeto que já vinha sendo discutido desde o começo do ano. Naquele momento, bancos britânicos haviam anunciado a intenção de desenvolver uma rede nacional para reduzir a dependência das duas bandeiras americanas. Agora, o plano entrou na fase de capitalização, com recursos destinados a financiar a estruturação da PDC até 2028.

Bancos querem controlar uma parte maior dos pagamentos

A discussão vai além de simplesmente criar uma nova bandeira para estampar cartões. O que está em jogo é a infraestrutura por trás das transações que conecta consumidores, bancos e comerciantes.

Cerca de 95% das transações com cartões no Reino Unido passam atualmente pelas redes da Visa ou da Mastercard, segundo dados publicados pelo jornal The Guardian. A concentração transformou as duas empresas em peças centrais do sistema de pagamentos britânico.

Para os bancos, desenvolver uma infraestrutura própria pode aumentar a autonomia sobre uma etapa estratégica da cadeia. Também pode ampliar a capacidade de negociação com as redes internacionais e criar espaço para novos modelos de pagamentos.

Esse ponto é particularmente relevante para o consumidor. Quando um cartão oferece pontos, cashback ou outros benefícios, a relação parece acontecer principalmente entre cliente e banco. Por trás da compra, porém, existe uma rede de infraestrutura que processa aquela transação. É nessa camada que Visa, Mastercard construíram uma posição dominante.

Projeto ainda está longe de substituir bandeiras

A nova estrutura não deve ser confundida com uma substituição imediata das duas bandeiras. A PDC ainda está em fase de organização e captação de recursos. O dinheiro que começa a ser levantado agora servirá para financiar sua incorporação e mobilização, enquanto novas rodadas de capital deverão ser necessárias para desenvolver a infraestrutura propriamente dita.

O Banco da Inglaterra também trabalha na definição da próxima geração da infraestrutura de pagamentos de varejo do país. Uma consulta sobre o desenho desse sistema foi aberta em junho e recebeu contribuições até 11 de setembro. Um blueprint para a futura infraestrutura é esperado no primeiro trimestre de 2027.

A previsão, portanto, é de um projeto de longo prazo. A própria discussão britânica aponta para uma infraestrutura que possa estar plenamente desenvolvida até o fim da década.

Visa e Mastercard também participam do projeto

Há uma ironia interessante na iniciativa. Embora a nova estrutura esteja sendo tratada como uma possível alternativa às duas bandeiras, Visa e Mastercard participaram dos trabalhos iniciais da PDC.

Ao todo, 19 organizações contribuíram para a fase inicial de financiamento e estruturação. Além dos quatro maiores bancos de varejo britânicos, o grupo inclui instituições americanas como o Citi e o JPMorganChase, além do PayPal.

Isso mostra que a discussão não pode ser resumida a uma guerra entre bancos britânicos e bandeiras americanas. O objetivo imediato é construir uma infraestrutura mais moderna, resiliente e capaz de atender às necessidades futuras do mercado.

A possibilidade de competir com Visa e Mastercard aparece como consequência potencial desse movimento.

Por que os bancos querem uma alternativa

Existe uma questão econômica e outra estratégica. A primeira envolve a dependência de uma infraestrutura concentrada em poucas empresas. Quanto maior a participação de uma rede no processamento dos pagamentos, maior sua importância para bancos, comerciantes e consumidores.

A segunda envolve resiliência. O Banco da Inglaterra vem defendendo uma nova infraestrutura para tornar o sistema britânico mais preparado para interrupções, além de estimular competição e inovação.

A discussão ganhou força em meio a preocupações sobre a dependência europeia de empresas americanas de tecnologia e infraestrutura. O projeto britânico chegou a ser associado, em fevereiro, às tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e seus aliados europeus.

A notícia sobre o avanço dos planos, com a captação do fundo, fez com que as ações de Visa, Mastercard e American Express na Bolsa de Valores de Nova York registrassem queda nesta terça-feira (15).

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