O preço da carne que chega à mesa do brasileiro começa muito antes do balcão do açougue. E é justamente no início dessa cadeia que um sinal de atenção apareceu em setembro.
A arroba do boi gordo voltou a ganhar força. Em São Paulo, uma das principais referências da pecuária brasileira, a cotação chegou a R$ 341 à vista e R$ 345 a prazo em Barretos e Araçatuba em 11 de setembro, segundo a Scot Consultoria. O chamado boi-China alcançou R$ 350 a prazo.
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Não significa que o quilo da carne ficará mais caro imediatamente. Entre a fazenda e o supermercado há frigoríficos, distribuidores, transporte, impostos e margens comerciais.
Ainda assim, quando o animal fica mais caro por um período prolongado, a pressão começa a percorrer essa cadeia.
Setembro começou diferente
O mercado já vinha dando sinais de mudança.
No começo de setembro, compradores aumentaram as ofertas pelo gado em São Paulo. Depois desse movimento, as cotações encontraram maior estabilidade. Na última semana, a oferta de animais estava ajustada às necessidades dos frigoríficos e havia pouco volume de negócios.
Ou seja, não existe neste momento uma corrida descontrolada pelo boi.
O que existe é um mercado mais firme.
A própria Scot apontava, antes do início do mês, uma perspectiva de estabilidade a alta para setembro, apoiada por demanda aquecida e oferta mais compassada.
Esse equilíbrio importa porque qualquer redução adicional na disponibilidade de animais prontos para abate pode mudar rapidamente a negociação.
O frigorífico fica no meio dessa conta
É depois da porteira que a história fica mais complicada.
O frigorífico compra o boi inteiro, mas não transforma todo o peso do animal em carne vendida no supermercado. Há diferenças de rendimento, cortes com valores distintos e receitas obtidas com couro, sebo, miúdos e outros produtos.
Por isso, uma alta de 5% na arroba não significa aumento automático de 5% no contrafilé.
Além disso, frigoríficos podem absorver durante algum tempo parte do aumento do custo do gado. Tudo depende das margens, dos estoques e, principalmente, da capacidade de repassar preços ao atacado.
Depois vem o varejo.
Supermercados e açougues também precisam decidir até onde conseguem aumentar a etiqueta sem perder vendas.
E o consumidor?
É justamente aí que aparece uma barreira importante para novas altas.
Carne bovina disputa espaço no orçamento com frango, carne suína, ovos e outras proteínas. Se o preço sobe demais, principalmente nos cortes mais populares, o consumidor pode simplesmente trocar o produto.
Esse comportamento funciona como um freio.
Por isso, olhar apenas para a arroba não basta para afirmar quanto custará a carne nas próximas semanas.
O que o campo mostra agora é uma pressão de custo que precisa ser acompanhada.
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