O candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu uma “revolução tecnológica” no país caso seja reeleito e defendeu investimentos em inteligência artificial, minerais críticos e terras raras. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (27), em entrevista da TV Globo exibida após o “Jornal Nacional”.
A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli e fez parte da série da emissora com candidatos à Presidência. Durante a conversa, Lula também falou sobre segurança pública, dívida, Previdência, educação, Correios, fraude no INSS e investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva.
Tecnologia e terras raras
Ao falar sobre as prioridades de um eventual quarto mandato, Lula afirmou que pretende ampliar os investimentos em tecnologia e transformar o país em produtor de bens de maior valor agregado.
O presidente defendeu que o Brasil tenha maior controle sobre a exploração de minerais críticos e terras raras e invista em inteligência artificial com linguagem portuguesa.
Lula também citou a produção nacional de baterias, chips e celulares. Segundo ele, a estratégia permitiria formar mão de obra qualificada e reduzir a dependência da exportação de matérias-primas.
Ministério da Segurança Pública
Na área de segurança, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, em discussão no Congresso, e afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta avance.
Segundo o candidato, a estrutura serviria para definir as responsabilidades de União, estados e municípios no combate ao crime organizado. Ele também defendeu mais investimentos em inteligência e maior integração entre as forças policiais.
Ao ser perguntado por que o crime organizado se espalhou pelo país durante os anos em que o PT esteve no governo federal, Lula afirmou que a segurança pública foi atribuída aos estados pela Constituição de 1988.
Lula também disse que pretende apresentar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma proposta de cooperação contra o narcotráfico. Ele citou ainda uma base da Polícia Federal em Manaus para reforçar o combate ao crime nas fronteiras.
Dívida pública
Lula foi questionado sobre a dívida pública, que chegou a cerca de 82% do Produto Interno Bruto (PIB), e sobre quais metas pretende adotar caso seja reeleito.
O candidato não apresentou um percentual para o qual pretende levar a dívida. Ele afirmou que o crescimento econômico é a principal forma de melhorar a relação entre o endividamento e o tamanho da economia.
Lula também afirmou que pretende manter o resultado fiscal positivo e citou o desempenho de seus primeiros mandatos para defender sua política econômica.
Questionado sobre a possibilidade de cortar gastos obrigatórios, não apontou áreas específicas. Em vez disso, disse que pretende ampliar investimentos em infraestrutura, tecnologia e indústria.
Nova reforma da Previdência
A Previdência também foi tema da entrevista. Lula não apresentou uma proposta detalhada para uma nova reforma, mas defendeu a necessidade de discutir o sistema diante das mudanças na população brasileira.
Na entrevista, o candidato também afirmou que pretende ampliar a formação profissional e o número de brasileiros com diploma universitário.
Correios
Ao ser questionado sobre a situação financeira dos Correios, Lula descartou a privatização da estatal. A empresa acumula quatro anos seguidos de prejuízo e, segundo os dados apresentados na entrevista, tem um rombo de cerca de R$ 15 bilhões.
Lula reconheceu que os Correios precisam passar por mudanças e citou a possibilidade de parcerias com empresas privadas.
Fila do INSS
Lula também foi questionado sobre a fila de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente em cerca de 1,3 milhão de pessoas, segundo os dados apresentados pelos entrevistadores.
O presidente afirmou que espera reduzir a espera para aproximadamente 251 mil pessoas e prometeu anunciar o resultado na próxima semana.
Sobre a fraude envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões, Lula afirmou que o governo já devolveu os valores às vítimas e que pretende recuperar os recursos por meio dos bens apreendidos dos investigados.
Filho é investigado pela PF
Ao ser perguntado sobre as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, Lula afirmou que não pretende interferir no trabalho da Polícia Federal.
O filho do presidente é investigado em três inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência em órgãos federais. As investigações também envolvem a lobista Roberta Luxinger e outros nomes próximos ao governo.
Lula afirmou que, caso o filho tenha cometido algum ilícito, deverá responder como qualquer outro cidadão.
O presidente também negou conhecer Roberta Luxinger e disse nunca ter conversado com ela.
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça”, disse.
Marcola e Banco Master
Outro nome citado durante a entrevista foi Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo as informações apresentadas pelos entrevistadores, a Polícia Federal investiga a atuação dele em uma reunião envolvendo a lobista.
Ao ser perguntado se considerava inadequado que o ex-assessor tivesse recebido benefícios de uma pessoa com interesses em contratos públicos, Lula afirmou que a relação era errada.
Lula, porém, disse acreditar na versão de Marcola de que os R$ 249 mil recebidos da lobista foram um empréstimo e afirmou que caberá à investigação determinar se houve irregularidade.
O presidente também foi questionado sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA), citado nas investigações do caso Banco Master. Lula defendeu o aliado e afirmou que não deixará de apoiá-lo enquanto não houver condenação.
“Eu não posso colocar em dúvida o comportamento e a relação do Wagner comigo por conta de uma ilação”, disse.
Educação
Na educação, Lula destacou programas como o Pé-de-Meia, a expansão das escolas de tempo integral e a criação de universidades e institutos federais.
Os entrevistadores citaram um estudo divulgado em agosto que aponta que seis em cada dez estudantes da rede pública terminam o ensino médio sem aprender o básico de matemática.
Lula afirmou que pretende ampliar a formação de professores e incentivar estudantes a seguir carreiras ligadas à matemática, engenharia e tecnologia.
No encerramento, Lula disse que pretende ampliar o número de brasileiros com formação universitária e defendeu a educação como uma das prioridades de um eventual quarto mandato.













