A cota brasileira para exportação de carne bovina à China em 2027 pode se esgotar entre março e abril, segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
A projeção considera o ritmo das vendas e a possibilidade de a China não distribuir os volumes entre as empresas exportadoras. Nesse cenário, a disputa pela cota pode acelerar os embarques.
Em 2027, o Brasil terá uma cota de 1,128 milhão de toneladas, 22 mil toneladas acima do limite deste ano, de 1,106 milhão. Sobre o volume que ultrapassar a cota incide uma sobretaxa de 55%.
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Exportadores podem antecipar embarques
Diante desse cenário, os exportadores podem antecipar negócios para cargas embarcadas a partir de novembro, com chegada à China em 2027. Assim, os volumes poderão entrar na nova cota.
“Pode haver sim uma antecipação das vendas para a China”, ponderou Perosa. No entanto, ele destacou a incerteza sobre a demanda chinesa.
“Mas a China está com um alto estoque de carne bovina e em seu nível máximo de produção de carne suína. Então precisamos ver se terá esse apetite pela carne bovina do Brasil”, afirmou. “Isso ainda é um enigma.”
Enquanto isso, o analista de pecuária da Datagro, Guilherme Jank, afirmou que a China pode intensificar as compras entre o fim de setembro e o início de outubro para que as cargas cheguem ao país a partir de janeiro.
Indústria enfrenta pressão
Segundo Perosa, julho, agosto e setembro foram meses de forte pressão para a indústria brasileira após o esgotamento da cota de 2026.
Os frigoríficos perderam um importante destino para o dianteiro do boi e precisaram ajustar o planejamento das plantas e a formação de preços. Além disso, algumas empresas deixaram de contar com pagamentos antecipados de importadores chineses, usados como capital de giro.
“Estamos passando três meses duríssimos”, afirmou.
Perosa também disse que, sem a limitação, o Brasil poderia ter exportado até 2 milhões de toneladas para a China.
“Sem as cotas, facilmente poderíamos ter atingido 2 milhões de toneladas para a China. Teve algum alento, como a cota americana, mas isso não viabiliza uma substituição automática”, continuou.
Por isso, ele avalia que o esgotamento da cota entre março e abril prolongaria o período de restrição às vendas brasileiras.
Abiec defende distribuição da cota
A Abiec mantém as negociações com o governo federal para distribuir a cota entre os exportadores, considerando a participação de mercado e o desempenho das empresas.
A entidade defende a proposta desde 2026, mas ainda não recebeu sinalização positiva sobre sua implementação.
Além disso, o setor acompanha a possível habilitação de novos frigoríficos brasileiros para exportar à China. Segundo Perosa, uma missão chinesa prevista para começar neste fim de semana deve avaliar novas plantas e unidades que já tinham habilitação, mas foram suspensas.
A missão também deve visitar estabelecimentos produtores de miúdos bovinos e suínos, conforme informou o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Cleber Soares.
Por fim, Perosa afirmou que os processos para abertura dos mercados do Japão e da Coreia do Sul à carne bovina brasileira dependem agora de documentação. “Os processos com esses dois países não demandam mais visitas presenciais. Agora é uma questão documental”, disse.
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