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China deve ampliar compras de carne bovina do Brasil

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A China deve ampliar as compras de carne bovina do Brasil entre outubro e novembro. A expectativa é que os novos negócios ajudem a programar os embarques destinados ao mercado chinês dentro da cota de importação de 2027.

Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), frigoríficos e compradores precisam considerar o intervalo entre a produção, o embarque e a chegada da carne à China. Por isso, os negócios fechados no fim de 2026 podem abastecer o mercado asiático no início de 2027.

A expectativa surge depois de uma forte queda nas exportações para a China. Em agosto, o país asiático comprou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, volume 88,2% menor que o registrado no mesmo mês de 2025.

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Nova cota influencia as negociações

A nova cota de importação chinesa entra no planejamento dos frigoríficos para os próximos meses. Dentro do limite estabelecido, a carne brasileira paga tarifa de 12%. Acima da cota, a tarifa prevista sobe para 55%.

Além disso, o tempo necessário para transportar a carne até a China exige planejamento antecipado. Assim, as negociações de outubro e novembro podem definir parte dos embarques destinados ao início de 2027.

Por enquanto, porém, a expectativa de novas compras não significa uma retomada imediata dos volumes anteriores. O ritmo dependerá das negociações entre compradores e frigoríficos, da demanda chinesa e da programação dos embarques.

Oferta restrita sustenta o boi gordo

Enquanto a China reduz o ritmo das compras, a oferta de gado terminado mantém o mercado brasileiro firme.

Em São Paulo, a Scot Consultoria registrou alta de R$ 5 por arroba para o boi gordo, o “boi China” e a vaca em 23 de setembro. A consultoria relacionou o movimento à oferta restrita e à resistência dos vendedores em aceitar preços menores.

Nesse cenário, uma eventual retomada das compras chinesas pode aumentar a disputa pelos animais destinados à exportação. Para o pecuarista, o comportamento da demanda externa passa a dividir espaço com a disponibilidade de gado e os preços negociados com os frigoríficos.

Brasil amplia outros mercados

Além da China, o Brasil mantém outros grandes compradores no radar. Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, enquanto a União Europeia comprou 87,1 mil toneladas.

No mesmo período, a China continuou como principal destino, com 899,2 mil toneladas, segundo a Abiec. O volume representou 40,8% das exportações brasileiras.

Por isso, os próximos meses devem mostrar como a demanda chinesa e os demais mercados vão influenciar o ritmo das exportações e o mercado do boi gordo no Brasil.

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