MENU

Líder do PCC ligado ao caso Milton Leite é preso na Bolívia

walmir-banner01
Shadow
Márcio Barbosa da SilvaReprodução

Márcio Barbosa da Silva, conhecido como Beiço de Mula e apontado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no ABC Paulista, foi preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele aparece em mensagens que integram a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) relacionada à investigação que levou à prisão do ex-vereador Milton Leite (União Brasil).

A captura ocorreu no sábado (19), após uma troca de informações entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN), da Polícia Boliviana. Depois dos procedimentos no ppaís vizinho, Márcio foi expulso e entregue às autoridades brasileiras nesta segunda-feira (21).

Segundo a Polícia Federal, ele era procurado no Brasil por organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. O nome também constava na difusão vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar pessoas procuradas internacionalmente.

A prisão ocorre quatro dias depois da operação que teve Milton Leite como um dos principais alvos.

A Operação Vectura Corrupta apura a suspeita de infiltração da facção criminosa no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

Nome aparece em mensagens da investigação

Segundo apuração do UOL, Beiço de Mula é citado em trocas de mensagens incluídas na denúncia do MPSP. Em uma delas, um investigado pergunta a outro se já havia conseguido falar com Márcio. A resposta afirma que não, mas registra que ele tinha o contato e poderia ligar caso houvesse interesse.

Em outro trecho citado pelo veículo, um integrante do PCC afirma ter acabado de receber uma ligação de Beiço de Mula. O conteúdo da conversa não aparece no documento divulgado pela reportagem.

A Polícia Civil também já havia relacionado Márcio ao ex-vereador de Santo André Thiago Rocha, preso em abril. A investigação apontou que Rocha mantinha contato com integrantes da facção durante uma apuração sobre a tentativa de criação de um núcleo político para ampliar a presença do grupo no poder público.

A companheira de Márcio também é investigada e trabalhava em cargo comissionado na Prefeitura de São Bernardo do Campo, segundo o UOL.

Operação mira infiltração no transporte de São Paulo

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo MPSP. A investigação apura suspeitas de participação do PCC em empresas que operam o transporte coletivo paulistano e de aproximação da organização criminosa com agentes públicos.

Milton Leite foi alvo de mandado de prisão temporária e se entregou à polícia no dia seguinte à operação. O ex-vereador nega envolvimento com a facção e contesta as acusações feitas contra ele.

Durante as buscas em um imóvel ligado ao ex-parlamentar, policiais apreenderam cerca de R$ 739 mil em reais e dólares. Segundo a denúncia, investigadores suspeitam que empresas de ônibus tenham sido usadas para lavar recursos e ampliar a atuação da organização criminosa.

A investigação ocorre em meio à ampliação da atuação do PCC para setores da economia e estruturas públicas. A facção, criada em São Paulo nos anos 1990, expandiu sua presença pelo Brasil e por outros países, inclusive na Bolívia, utilizada por organizações criminosas como rota no mercado internacional de drogas.

Márcio está agora sob responsabilidade das autoridades brasileiras. A defesa dele não havia sido localizada para comentar as acusações até a divulgação das informações sobre a transferência.

PUBLICIDADE