O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu que não tem provas de fraude nas eleições presidenciais de 2026, mas afirmou que continuará questionando o resultado que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta sexta-feira (06), o parlamentar disse que considera impossível investigar eventuais irregularidades no processo eleitoral brasileiro.
“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, declarou Flávio ao jornal.
O senador foi derrotado por Lula no segundo turno, realizado em 25 de outubro. O resultado oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontou 51,79% dos votos válidos para o petista e 48,21% para o candidato do PL.
Mesmo sem apresentar evidências de fraude, Flávio voltou a questionar o crescimento da votação de Lula entre os dois turnos. O senador afirmou que sua equipe jurídica pretende concentrar a estratégia em acusações de abuso de poder econômico e uso da máquina pública durante a campanha.
Na entrevista, o senador também comentou a situação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.
Flávio avaliou que Jair cometeu um erro ao retornar ao Brasil em 2023. Segundo o parlamentar, a experiência do pai influenciou sua própria decisão de permanecer nos Estados Unidos após a derrota eleitoral.
O senador deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno, e chegou a Miami após passar pela Argentina e pelo Equador. Ele justificou a permanência no exterior com o argumento de que teme perseguição política.
Flávio não detalhou à Folha como organizou e financiou a viagem. Disse que pretende manter o mandato de senador e exercer as atividades remotamente quando possível.
PL pretende pedir cassação da chapa Lula-Alckmin
Apesar de admitir que não possui provas de fraude na votação, Flávio afirmou que o PL pretende apresentar ações no Tribunal Superior Eleitoral para tentar cassar a chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB).
A estratégia jurídica deve se concentrar em supostas irregularidades relacionadas a benefícios anunciados pelo governo durante a campanha e ao uso da estrutura pública.
O senador também voltou a defender mudanças no sistema eleitoral, incluindo a adoção do voto impresso.
Flávio fala em disputar a Presidência em 2030
Ao tratar das próximas eleições presidenciais, Flávio afirmou que pode concorrer novamente em 2030, caso tenha apoio do PL.
O senador, porém, reconheceu que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também tem direito de disputar o Palácio do Planalto.
Flávio afirmou que, caso Jair Bolsonaro recupere os direitos políticos, o pai será seu candidato para a próxima eleição presidencial.
Na entrevista, o parlamentar também voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o sistema político brasileiro, que classificou como incompatíveis com uma democracia plena.








