O Governo Federal prepara uma nova etapa do Desenrola Brasil voltada a pessoas adimplentes, que mantêm as contas em dia, mas ainda enfrentam dificuldades por causa das altas taxas de juros.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, nesta quarta-feira (6), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que há um olhar mais atento para os trabalhadores informais. Segundo ele, esse grupo não possui renda fixa mensal, o que torna a organização financeira mais instável.
De acordo ministro, a nova linha de crédito deve ser anunciada até o início de junho e será direcionada com foco a este público.
Novo Desenrola
Na última segunda-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). A iniciativa permite negociar débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
A reformulação da política busca aliviar o orçamento das famílias, especialmente aquelas com dívidas mais caras. A proposta também inclui a renegociação de débitos de estudantes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o ministro, quem está em dia com os pagamentos também deve ser contemplado em uma próxima fase.
Durigan negou que o programa incentive a inadimplência e defendeu que é justo oferecer estímulos também a quem mantém as contas em dia. Para ele, o alto nível de endividamento no país reflete um período difícil, marcado pela pandemia, desemprego elevado e renda estagnada.
Ele acrescentou que o momento é de incentivar a renegociação e fortalecer o pagamento das dívidas, incluindo quem já vem cumprindo seus compromissos, mas ainda sofre com o custo do crédito.
Desenrola Famílias
A principal frente do programa é o Desenrola Famílias, voltado a quem ganha até cinco salários mínimos. A iniciativa permite renegociar dívidas contraídas até 31 de janeiro de 2026 por meio de um novo crédito, com taxa de juros limitada a 1,99% ao mês.
Podem ser incluídas dívidas em atraso entre 90 dias e até dois anos, nas modalidades de crédito pessoal não consignado, cartão de crédito e cheque especial. O programa também prevê que as instituições financeiras invistam em educação financeira o equivalente a 1% das garantias oferecidas.
Uso do FGTS e restrições
O novo Desenrola Brasil também permite o uso de até 20% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil (o que for maior), para quitar dívidas à vista.
Além disso, o programa prevê o bloqueio do CPF dos beneficiários por 12 meses para participação em apostas online autorizadas no país. A medida busca evitar o agravamento da situação financeira durante o período de renegociação.
Com a nova fase em estudo, o governo sinaliza a intenção de ampliar o alcance do Desenrola e incluir também quem, mesmo sem atrasos, ainda sente o peso dos juros no orçamento.
*Estagiária sob supervisão










