O Grupo Pão de Açúcar, fechou nesta terça-feira (05), um acordo com credores para renegociar uma dívida de R$ 4,568 bilhões. A companhia entrou em recuperação extrajudicial em março deste ano
O novo plano teve em 56 dias, abaixo do prazo máximo de 90 dias previsto em lei, foi aceito por 57,49% do valor total devido e agora será enviado à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo para validação.
Pelo acordo, a empresa terá mais tempo para quitar os débitos, com prazo médio de 6,4 anos. Também haverá redução nos juros, que passam a ser corrigidos pelo CDI, taxa usada como referência no mercado financeiro, acrescida de mais 0,5% ao ano. Com isso, a expectativa é que o valor total pago ao longo do tempo fique abaixo da metade da dívida original. Assim, a expectativa é que o valor total a ser pago fique abaixo de R$ 2,284 bilhões.
O cenário que levou à renegociação inclui juros elevados, com a taxa Selic em cerca de 15% ao ano, além de mais de R$ 3,3 bilhões gastos com despesas financeiras entre 2024 e 2025 e um déficit de capital de giro, ou seja, falta de recursos para manter as operações do dia a dia, de R$ 1,2 bilhão ao fim de 2025.
A pressão para fechar o acordo também envolveu uma condenação de cerca de R$ 170 milhões em favor do Grupo Casas Bahia, com vencimento em março de 2026. Além disso, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota de crédito do Grupo Pão de Açúcar para “CCC”, nível que indica alto risco de inadimplência.
Entenda as mudanças no pagamento
Entre as medidas previstas está a emissão de debêntures conversíveis em ações, que podem chegar a R$ 1,1 bilhão. Na prática, esse tipo de título permite que os credores troquem parte da dívida por participação na empresa em datas específicas, sendo no primeiro semestre de 2027, 2029, 2030 e 2031.
Essas ações poderão ser adquiridas com desconto de 20% em relação ao valor médio negociado na Bolsa de Valores (B3) nos meses anteriores.
O plano também oferece desconto de até 70% sobre o valor devido, com prazo final de pagamento até 2036.
Outra possibilidade prevista é a contratação de um novo empréstimo de até R$ 200 milhões. Esse valor pode pode vir dos próprios credores interessados em investir mais na empresa. Como garantia, a companhia pode usar valores que ainda tem a receber, como vendas feitas por cartão de crédito.
Como forma adicional de segurança, a empresa se comprometeu a utilizar recursos da venda de sua participação na Financeira Itaú CBD para antecipar pagamentos a credores em uma das modalidades.
Próximos passos
Com a renegociação, a empresa espera deixar de gastar mais de R$ 4 bilhões nos próximos dois anos, o que deve melhorar o caixa nesse período.
Em comunicado, a companhia afirmou que a medida é importante para organizar as dívidas, classificando o acordo como “um passo essencial para melhorar o perfil de endividamento e posicionar a Companhia para o futuro”.
A empresa também informou que segue operando normalmente e que continua pagando fornecedores, clientes e parceiros que não fazem parte da renegociação. Assim, as mais de 728 lojas permanecem abertas e funcionando em todo o país.
O acordo ainda depende de aprovação da Justiça para começar a valer totalmente e o grupo informou que continuará atualizando o mercado sobre o andamento do processo.
Até a decisão final, ficam suspensas por 180 dias as cobranças e execuções relacionadas às dívidas incluídas na renegociação.










