Uma cobra píton-reticulada de 4,5 metros de comprimento mudou o que se sabia sobre o tratamento do câncer em répteis. Residente do zoológico de Chester, na Inglaterra, a serpente atende pelo nome de Jodie Foster e se tornou o primeiro caso conhecido da espécie de cura com eletroquimioterapia, técnica de tratamento até então quase exclusiva dos humanos.
O processo aconteceu em outubro de 2025, mas a Universidade de Liverpool só tornou tudo público na última sexta-feira (21).

Nos exames mais recentes, nenhum vestígio da doença foi encontrado na cobra. Apesar do homônimo de atriz famosa, o apelido da serpente nasceu das iniciais “JF” no registro de nascimento, abreviação de “juvenile female”, segundo a Smithsonian Magazine.
Celebridade
A píton-reticulada está no Zoológico do Norte da Inglaterra há quase vinte anos, sendo considerada uma celebridade na cidade de Chester.

A doença se manifestou há cerca de dois anos, quando Jodie Foster passou a se mexer devagar e comer menos. Os cuidadores estranharam o comportamento da cobra e decidiram examiná-la, chegando ao diagnóstico de um tumor maligno na mandíbula.
A serpente passou por cirurgia e conseguiu retirar o nódulo, mas a trégua durou pouco.

Cerca de um ano depois, o inchaço reapareceu exatamente onde havia sido tirado, outra vez complicando as refeições e ameaçando a vida do réptil. O Zoológico percebeu que a repetição da cirurgia não seria suficiente, optando por uma mudança de planos no tratamento.
Quimioterapia na maior espécie de cobra do planeta?

Operar um animal de proporções gigantescas, porém, exige uma operação cirúrgica enorme. A píton-reticulada é a maior espécie de cobra do mundo, podendo atingir até 7,5 metros de comprimento e 150 quilos. A serpente Jodie Foster, em particular, mede 4,5 metros e pesa 50 quilos, mas ainda necessita de uma grande estrutura veterinária.

Nenhuma mesa cirúrgica era suficiente para o tamanho do animal, então duas foram unidas até virar uma base de dimensões próximas a uma cama de casal. Jodie foi sedada dentro do próprio recinto e, depois, levada ao centro veterinário para cirurgia.
Como a anestesia se estendeu por 90 minutos e os répteis não conseguem regular a própria temperatura corporal, alguns cobertores térmicos e ar quente foram usados para manter a cobra aquecida e viva.

Na sala, os veterinários removeram parte da mandíbula e, no tecido que ficou, depositaram um quimioterápico. Posteriormente, a cobra passou pela eletroquimioterapia propriamente dita, usando eletrodos finos de metal. Dessa forma, os pulsos elétricos foram disparados e romperam células cancerígenas, aumentando a taxa de absorção do remédio.
A cobra melhorou rapidamente, voltando a comer e recuperando o peso perdido poucos dias depois. Como toda píton-reticulada, Jodie Foster desencaixa a mandíbula para engolir presas muito maiores que a cabeça, e meses de acompanhamento confirmaram que a serpente já consegue realizar a deglutição sem dificuldades.









