Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pagou três noites de hospedagem em um hotel de luxo de São Paulo para o ex-senador Francisco Feitosa, o Chiquinho Feitosa, então cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A estadia ocorreu poucos dias antes de um julgamento de interesse empresarial do banqueiro.
As informações foram reveladas pelo Estadão nesta terça-feira (13), com base em áudios e documentos ligados ao acervo de Vorcaro. O quarto reservado no Rosewood tinha diária superior a R$ 31 mil.
O processo no STF discutia as regras para abertura de novos cursos de medicina. Vorcaro havia investido em faculdades que buscavam autorização para oferecer a graduação. Gilmar era relator do caso.
A existência do pagamento e das mensagens não comprova, por si só, interferência no julgamento.
Reserva foi alterada a pedido de Chiquinho
Em 22 de maio de 2024, o advogado Ciro Soares, que representava Vorcaro, enviou ao banqueiro um pedido de Chiquinho para antecipar a entrada no hotel.
Pouco depois, Vorcaro encaminhou diretamente ao ex-senador o comprovante da hospedagem. A reserva era para um quarto com duas camas king size.
Ao fim da estadia, Chiquinho agradeceu ao banqueiro pela hospedagem.
Durante a viagem, Ciro Soares também enviou a Vorcaro uma foto ao lado do ex-senador.
O julgamento começou em 24 de maio, dois dias depois da troca de mensagens.
Advogado comemorou resultado com Vorcaro
Em 30 de maio, após o encerramento do julgamento, Ciro Soares enviou nova mensagem ao ex-banqueiro e comemorou o desfecho.
Segundo a apuração do Estadão, o advogado fez referência direta ao processo sobre as faculdades de medicina e afirmou que o resultado havia dado certo para os interesses discutidos com Vorcaro.
A decisão não liberou de forma indiscriminada a abertura de novos cursos. O STF preservou exigências impostas pelo Ministério da Educação, mas estabeleceu uma regra de transição que permitia a continuidade da análise de pedidos já protocolados, situação que alcançava instituições nas quais Vorcaro tinha interesse.
Gilmar Mendes afirmou que votou contra a abertura indiscriminada de cursos de medicina e que seguiu a posição do Governo Federal no processo. O ministro também negou ter tratado do julgamento com Vorcaro, Chiquinho ou outras pessoas citadas nas mensagens.
Chiquinho diz que viagem era para evento beneficente
Chiquinho confirmou que recebeu de Vorcaro um voucher para a hospedagem no Rosewood.
Segundo o ex-senador, a viagem estava ligada a um evento beneficente destinado à arrecadação de recursos para o Hospital do Amor. Ele também negou ter discutido com Gilmar assuntos de interesse do banqueiro.
Gilmar confirmou anteriormente ter recebido Vorcaro em seu gabinete no STF, na presença de advogados do Banco Master, para tratar de outro processo. O ministro afirmou que não tinha conhecimento das negociações privadas entre o banqueiro e o então cunhado.
O iG não conseguiu contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestações.









