O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), que não se lembrava para quem havia enviado mensagens que, segundo relatório dos policiais federais divulgado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, tinham como destinatário o também ministro do STF Alexandre de Moraes.
O depoimento de Daniel Vorcaro à PF, prestado em 28 de agosto, ganhou nova repercussão nesta segunda-feira (14), após a divulgação de trechos do interrogatório e a entrega ao STF do conteúdo integral do celular do ex-banqueiro, que está preso na Papudinha, em Brasília.
Em uma das notas, enviadas como mensagens, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o banqueiro menciona “G”, identificado pelos investigadores como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, além de “Andrei” e “Paulo”, apontados no relatório como referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ao ser questionado sobre as anotações, o dono do Banco Master disse que não se recordava para quem ele havia enviado a mensagem e que, sem saber o destinatário, não queria fazer inferências sobre o contexto. Disse que era “muita interação” e que responderia, oportunamente, quando tiver certeza, para não cometer erros.
Na sequência, o delegado observou que as notas tinham formato de mensagem e perguntou se Vorcaro se recordava de seu destino. O banqueiro voltou a dizer que não.
Neste dia, em agosto, Vorcaro foi ouvido formalmente pela primeira vez pela Polícia Federal desde que voltou a ser preso, em março. A PF investigava a articulação do banqueiro com ex-diretores do Banco Central para tentar impedir a liquidação do Master, decretada em novembro de 2025.
Vorcaro também demonstrava interesse em fechar um acordo de colaboração premiada, na terceira tentativa de sua defesa. As duas propostas anteriores haviam sido rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, que consideraram insuficientes os elementos apresentados.
As mensagens com Moraes
O relatório da PF que identifica o ministro Alexandre de Moraes como destinatário de mensagens de Daniel Vorcaro está no centro da crise no Supremo.
Tornado público por Mendonça, o documento reúne mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro e aponta Moraes como interlocutor a partir da identificação feita pela corporação.
No depoimento à PF, porém, Vorcaro não confirmou quem recebeu a mensagem. O conteúdo é uma das 52 mensagens citadas no relatório da corporação.
A declaração ocorre enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa a validade do relatório da PF que aponta Moraes como interlocutor de Vorcaro.
O plenário tem sessão marcada para esta terça-feira (15) e poderá começar pela análise de questões preliminares antes de discutir o conteúdo das mensagens.
Uma das principais questões é se Mendonça poderia ter determinado sozinho a elaboração de um relatório que envolveu outro ministro do Supremo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende que o documento seja considerado nulo.








