A abertura do 4º Interlog Summit, realizada nesta terça-feira (14), durante a 30ª edição da Intermodal South America, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), reuniu especialistas e lideranças para discutir o futuro da logística no Brasil. Com expectativa de receber cerca de 49 mil profissionais e mais de 500 marcas expositoras até o dia 16 de abril, o encontro destacou a modernização da infraestrutura e o avanço tecnológico no setor.
O summit, que ocorre em novo formato e com programação distribuída ao longo dos três dias, integra dois congressos simultâneos: o Intermodal – Congresso Internacional e o XXVIII CNL – Conferência Nacional de Logística, promovido pela Associação Brasileira de Logística (Abralog).
Sob o tema “Conexões que movem o Brasil: logística e infraestrutura rumo ao protagonismo global”, o evento reforça a necessidade de integração entre modais, inovação e planejamento estratégico.

O primeiro painel teve como destaque a participação de Eduardo Camargo, CEO da Motiva Rodovias, que apresentou o conceito “Smart Roads 2035”, estratégia voltada à construção de rodovias mais inteligentes, seguras e sustentáveis no país.
Segundo o executivo, a Motiva, nova marca do grupo CCR , se posiciona como a maior operadora de infraestrutura de mobilidade do Brasil, com atuação em rodovias, trilhos e aeroportos.
“Operamos cerca de 2 milhões de veículos por dia em nossas concessões, o que representa uma parcela significativa do transporte nacional”, afirmou.
Conectividade e tecnologia no centro da transformação
Durante a apresentação, Camargo destacou que a conectividade é um dos pilares para a evolução das rodovias brasileiras. “Não é admissível que haja áreas de sombra em rodovias concedidas. Sem conectividade, o futuro dos veículos inteligentes e da operação integrada simplesmente não chega”, disse.
A empresa consolidou recentemente suas operações em um Centro de Controle único, com monitoramento quase integral das rodovias por câmeras e uso de inteligência artificial para detecção automática de incidentes.
A tendência, segundo ele, é que o sistema evolua para respostas automatizadas em situações de emergência.

Outro avanço citado foi a implementação do sistema de pedágio eletrônico Free Flow, que elimina barreiras físicas e permite a cobrança proporcional à distância percorrida.
Enquanto o modelo tradicional registra inadimplência praticamente nula, o Free Flow ainda traz o desafio do não pagamento, ao mesmo tempo em que avança na proposta de “justiça tarifária”.
Além disso, a Motiva investe em soluções como pesagem em movimento de caminhões, iluminação inteligente e uso de drones para atendimento emergencial, iniciativas que visam aumentar a eficiência operacional e reduzir riscos nas rodovias.
Segurança e sustentabilidade como prioridades
A segurança foi tratada como eixo central da estratégia da companhia. De acordo com Camargo, a empresa conseguiu reduzir em mais de 70% os índices de sinistralidade em suas operações internas com o uso de monitoramento de comportamento dos colaboradores.
Ele também chamou atenção para o uso do celular ao volante, classificado como uma “epidemia da distração”. “Hoje, o celular no trânsito mata mais do que a combinação de álcool e direção”, alertou.
No campo da sustentabilidade, a empresa aposta no desenvolvimento de novos materiais para pavimentação, com foco na reciclagem de insumos e na redução de impactos ambientais. Atualmente, entre 30% e 40% dos materiais fresados são reaproveitados, com meta de alcançar 100%.
Outro ponto destacado foi o uso crescente de meios de pagamento digitais nos pedágios. O dinheiro em espécie, que já representou até 25% das transações, hoje corresponde a cerca de 4%, indicando uma rápida transformação no comportamento dos usuários.
Investimentos e desafios do setor
O cenário atual da infraestrutura foi descrito como um momento de forte expansão, com cerca de R$ 280 bilhões em investimentos previstos, grande parte oriunda da iniciativa privada.
Apesar do volume recorde, o executivo ressaltou que ainda há um déficit significativo frente às necessidades do país.
“O Brasil vive um momento único, mas o volume necessário de investimentos é mais que o dobro do que está sendo realizado hoje”, afirmou.
A Motiva já anunciou a estratégia de concentrar seus investimentos em rodovias e trilhos, com desinvestimento no segmento aeroportuário, reforçando o foco em mobilidade terrestre.
O Interlog Summit segue até quinta-feira (16), com painéis voltados à digitalização, sustentabilidade e integração logística, consolidando-se como um dos principais fóruns de discussão sobre o futuro do transporte no Brasil.








