Cartões como Mastercard Black, Visa Infinite e Elo Nanquim costumam ser posicionados no segmento premium, tradicionalmente associados a clientes de alta renda, maior volume de investimentos e relacionamento bancário mais intenso. São justamente essas categorias que concentram os seguros de viagem mais robustos das bandeiras, além de benefícios como salas VIP, concierge e coberturas ampliadas para bagagem, cancelamentos e emergências médicas internacionais.
Nos últimos anos, porém, esses cartões ficaram mais acessíveis. Bancos digitais, corretoras e plataformas de investimento passaram a flexibilizar os critérios de entrada, muitas vezes vinculando o acesso ao volume investido, e não necessariamente a uma renda mensal muito elevada.
Hoje, já existem opções Visa Infinite e Mastercard Black liberadas com investimentos a partir de R$ 5 mil em algumas instituições, enquanto versões mais completas costumam exigir entre R$ 50 mil e R$ 100 mil investidos.
Com isso, benefícios antes restritos a um público muito específico passaram a alcançar uma parcela maior de viajantes, especialmente aqueles que concentram investimentos em corretoras e bancos digitais.
Esses segmentos também se tornaram os favoritos de muitos viajantes frequentes por causa do seguro viagem. Diferentemente dos cartões intermediários, que abordei aqui na coluna esta semana, as versões premium oferecem coberturas médicas muito mais altas, capazes de atender com folga às exigências do Tratado de Schengen, na Europa, e até reduzir a necessidade de contratação de assistência adicional em muitos roteiros internacionais.
As coberturas normalmente se estendem aos acompanhantes e familiares que tiveram as passagens emitidas dentro das regras do benefício. Dependendo da bandeira, isso pode incluir cônjuge, filhos e outros passageiros que viajaram com bilhetes pagos pelo titular do cartão.
Cobertura médica
Nos cartões premium, o cenário muda bastante em relação aos segmentos intermediários. Mastercard Black, Visa Infinite e Elo Nanquim oferecem coberturas muito superiores ao mínimo de 30 mil euros exigido pelo Tratado de Schengen para despesas médicas e hospitalares na Europa.
As regras básicas continuam as mesmas: é necessário pagar a passagem com o cartão, ou ao menos as taxas em emissões com milhas, além de emitir previamente o bilhete de seguro. Sem isso, não há cobertura válida.
Mastercard
Os cartões Mastercard Black cobrem despesas médicas internacionais no limite de US$ 175 mil por viagem para bilhetes de seguro emitidos a partir de outubro de 2025.
A Mastercard também flexibilizou as regras para passagens emitidas com milhas. Agora, basta que as taxas de embarque sejam pagas com o cartão Black, sem necessidade de comprovar que os pontos foram acumulados nele.
Outro diferencial importante é a ampliação dos beneficiários elegíveis. Todos os passageiros que tiveram as passagens compradas com o cartão podem ser cobertos, desde que cada viajante tenha um bilhete de seguro emitido individualmente antes da viagem.
Visa
Nos cartões Visa Infinite, as despesas médicas e hospitalares também chegam a US$ 175 mil.
Além da cobertura médica principal, o pacote inclui:
- Despesas odontológicas de até US$ 7.500;
- traslado médico e regresso sanitário de até US$ 100 mil;
- acompanhante em hospitalização prolongada de até US$ 12 mil;
- cancelamento de viagem de até US$ 4.500;
- proteção de bagagem de até US$ 3.500 em viagens internacionais.
A Visa também mantém regras flexíveis para emissões com milhas: passagens emitidas com programas de fidelidade seguem elegíveis desde que taxas e impostos sejam pagos com um cartão Infinite elegível.
O benefício pode contemplar qualquer pessoa que tenha a passagem paga com o cartão do titular, desde que exista um bilhete de seguro válido emitido antes do embarque.
Elo
No Elo Nanquim, a cobertura médica internacional chega a US$ 150 mil.
O pacote inclui despesas odontológicas, fisioterapia emergencial, repatriação médica, atraso de embarque, perda de conexão aérea, despesas jurídicas e retorno do segurado.
A repatriação médica pode chegar a US$ 100 mil, enquanto os demais serviços possuem limites individualizados definidos na tabela do benefício.
Assim como nas demais bandeiras, a emissão do bilhete é obrigatória e deve ser feita previamente no portal da Elo. O benefício também contempla viagens emitidas com milhas, desde que as taxas tenham sido pagas com um cartão elegível.
Além do titular, o seguro pode contemplar cônjuge, filhos e até profissionais domésticos que estejam viajando juntos, desde que todos tenham bilhetes emitidos individualmente.
Vale confiar no seguro dos cartões premium?
Os seguros dos cartões premium deixaram de ser apenas um benefício complementar e passaram a funcionar como produtos robustos de assistência internacional.
Coberturas entre US$ 150 mil e US$ 175 mil já oferecem uma margem confortável até para destinos com custos médicos elevados, como os Estados Unidos.
Os documentos também mostram uma tentativa clara das bandeiras de integrar o seguro à rotina de quem acumula milhas e concentra gastos no cartão.
Isso aparece principalmente na flexibilização das regras para emissões com pontos e na ampliação dos passageiros elegíveis.
Ao mesmo tempo, os termos reforçam repetidamente um detalhe que muita gente ignora: sem emissão prévia do bilhete, não existe cobertura, independentemente do cartão utilizado.
Outro ponto relevante é a importância dada às despesas de transporte médico. Repatriação, traslado e remoção internacional recebem limites elevados porque esse tipo de operação pode custar dezenas de milhares de dólares.
Hoje, esses cartões já oferecem um nível de proteção suficientemente alto para substituir seguros adicionais em muitas viagens internacionais.
Ainda assim, muita gente continua usando Black, Infinite e Nanquim apenas pelos pontos ou pelas salas VIP, sem explorar alguns dos benefícios mais valiosos dessas categorias.










