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Roberto Menescal fala de Xuxa, Luísa Sonza e IA no “Roda Viva”

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Roberto Menescal no ‘Roda Viva’Reprodução/X

Roberto Menescal passou por Xuxa, Gal Costa, Raul Seixas, Luísa Sonza e Inteligência Artificial ao revisitar mais de seis décadas de música brasileira durante entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, nesta segunda-feira (07).

Aos 88 anos, o compositor e guitarrista deixou claro desde o início que prefere olhar para o que ainda está por vir. “Eu tô com saudade do futuro”, disse ao comentar os artistas mais jovens que acompanha e os novos caminhos da música.

Menescal também relembrou a criação da bossa nova, as reuniões no apartamento de Nara Leão, em Copacabana, e a influência de Johnny Alf sobre a geração que mudaria a música brasileira.

“Era necessidade mesmo”, afirmou sobre o surgimento do gênero. Segundo ele, os jovens músicos queriam se afastar principalmente das letras mais pesadas do samba-canção. “A gente tem que mudar isso, tem que tirar a gravata da música”, recordou, atribuindo a frase ao parceiro Ronaldo Bôscoli.

Xuxa, Raul Seixas e artistas em quem apostou

Uma das histórias que mais chamaram atenção envolveu Xuxa. Menescal contou que conheceu a apresentadora antes da explosão de sua carreira e decidiu apostar na gravação de um disco mesmo diante da resistência da gravadora.

Segundo ele, a própria Xuxa dizia não se considerar cantora. Menescal, porém, gostou do que ouviu e tentou convencer a companhia a produzir o trabalho.

Para reduzir os custos, ele procurou artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque e conseguiu autorização para usar gravações já existentes, acrescentando a voz de Xuxa. O disco acabou vendendo bem.

Menescal também admitiu ter errado ao avaliar Raul Seixas no início da carreira.

“Eu não acreditava muito no Raul”, contou. Ele havia contratado Raul junto com Sérgio Sampaio após a participação dos dois em um festival. Com o passar dos anos, porém, viu Raul consolidar uma carreira muito maior do que imaginava.

A conversa ainda passou por Gal Costa. Menescal contou que uma discussão sobre a imagem da cantora terminou com um sapato arremessado contra ele.

Os dois ficaram meses sem conversar. Depois fizeram as pazes, e Menescal acabou produzindo ‘Gal Tropical’, lançado em 1979.

“Eu não sabia nem quem era Luísa Sonza”

Ao falar da atual geração, Menescal reservou alguns dos maiores elogios a Luísa Sonza.

Luísa Sonza e Roberto MenescalPam Martins

O músico contou que, apesar do sucesso que ela já tinha quando os dois se aproximaram, não acompanhava sua carreira.

O primeiro contato profissional ocorreu quando a cantora pediu que ele fizesse um arranjo para ‘Chico’. Menescal aceitou, embora inicialmente achasse que os dois tinham pouco em comum musicalmente.

A parceria cresceu. O encontro entre Luísa, Menescal e Toquinho resultou no álbum ‘Bossa Sempre Nova’, lançado neste ano.

Menescal também contou que testou diferentes possibilidades durante as gravações e se surpreendeu com a facilidade da cantora para entrar na linguagem da bossa nova.

Questionado se poderia ser considerado um purista do gênero, respondeu rapidamente: “Deus me livre”.

Para ele, artistas de outras gerações e estilos ajudam a manter a bossa nova em circulação. O compositor citou jovens músicos que vêm se aproximando do gênero e disse acreditar que, em alguns lugares, como o Japão, a bossa nova hoje é tocada até mais do que no Brasil.

Inteligência Artificial: “Vai mudar o mundo”

Menescal também falou sobre o avanço da Inteligência Artificial na criação musical. Questionado se tinha medo da tecnologia, respondeu que não.

“Não tenho, não.”

O músico afirmou já ter ouvido canções produzidas com IA que o surpreenderam pela qualidade, embora tenha feito uma ressalva.

Para Menescal, a discussão vai além da indústria musical e ainda deve provocar mudanças profundas em áreas como direitos autorais e remuneração dos artistas.

“Inteligência Artificial vai mudar o mundo, claro. Não é a música. Vai mudar o mundo.”

A postura combina com a frase repetida ao longo da entrevista. Menescal diz não ter interesse em ficar preso ao que já produziu e prefere acompanhar o que as próximas gerações podem criar.

Novos trabalhos com Theo Bial e Andy Summers

Menescal também revelou projetos que pretende levar adiante.

Um deles é um álbum com Theo Bial, filho do jornalista Pedro Bial. Segundo o compositor, o trabalho pode ser lançado entre o fim deste ano e o começo de 2027 e tem como possível título ‘Saudade do Futuro’.

“O novo chegando”, resumiu.

Outro reencontro pode acontecer com Andy Summers, guitarrista do The Police. Menescal afirmou que o músico entrou em contato recentemente interessado em desenvolver outro trabalho em janeiro.

A relação entre Menescal e Andy Summers é antiga e começou depois de uma versão de uma música do The Police gravada por Cris Delanno.

O compositor não detalhou qual seria o novo projeto.

Aos 88 anos, Menescal encerrou a entrevista com a mesma disposição que mostrou ao longo do programa: menos interessado em rever o passado do que em descobrir o que ainda pode aparecer.

“Os números um estão chegando aí. São vários.”

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