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JBS encerra produção voltada à China diante de tarifas

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A JBS, uma das maiores empresas globais do setor de carne bovina, deve interromper a partir deste sábado (20) a produção de cortes específicos destinados ao mercado chinês. A medida busca evitar que cargas brasileiras desembarquem na China após o preenchimento da cota de importação, o que resultaria em elevadas sobretaxas.

Segundo Renato Costa, CEO da Friboi, marca pertencente ao grupo JBS, a companhia passará a priorizar a logística de exportação e a organização dos embarques.

“Nós estamos organizados para, a partir do dia 20, só concentrar embarques, não produção. Então, a partir do dia 20, concentra os embarques, define os portos, organiza, porque se chegar fora da cota, tem uma sobretaxa muito alta”, afirmou o executivo.

De acordo com estimativas da indústria, as exportações brasileiras seguem seguras até o final de junho, sem risco de ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para 2026. No entanto, dados consolidados pelo governo chinês indicam que o Brasil já havia utilizado mais de 50% do volume autorizado até 9 de maio.

Além disso, o elevado número de cargas em trânsito aumenta a cautela entre frigoríficos e importadores. Somente no mês passado, o Brasil embarcou quase 154 mil toneladas de carne bovina para o mercado externo.

Costa alertou que o impacto tarifário pode inviabilizar operações fora da cota.

“O que entra hoje é 12% dentro da cota, fora da cota são mais 55%, vai para 67%. Aí realmente inviabiliza”, destacou.

No início de junho, algumas plantas habilitadas para exportar à China já haviam reduzido o ritmo de abates e a produção de cortes específicos destinados ao país asiático.

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Estratégias variam

Além de comandar a Friboi, Renato Costa preside o conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Segundo ele, cada empresa vem adotando estratégias próprias diante da proximidade do esgotamento da cota chinesa.

“Nós, como JBS, não vemos impacto de volume, nós distribuímos isso. Já o preço é o mercado que vai ditar”, afirmou.

Por outro lado, o executivo reconheceu que não há expectativa de ampliação da cota brasileira ainda em 2026. Mesmo assim, o setor produtivo e o governo brasileiro solicitaram às autoridades chinesas a redistribuição de volumes não utilizados por outros países exportadores.

A cota total destinada a todos os fornecedores internacionais soma 2,6 milhões de toneladas.

“O ministro [da Agricultura] André de Paula, na feira Sial na China, já colocou isso, para que, no final, quem não cumpriu a cota, faz-se a redistribuição da cota. Aí a gente vê como possibilidade, mas dentro desse ano, não”, explicou.

Enquanto isso, a China informou nesta quinta-feira (18) que a Austrália atingiu integralmente sua cota de 205 mil toneladas. Dessa forma, a partir de sábado (20), as cargas australianas que chegarem aos portos chineses passarão a pagar uma sobretaxa de 55%.

Mudanças de hábitos alimentares favorecem consumo de proteína

Outro fator apontado pela companhia para o fortalecimento das vendas é a mudança nos hábitos de consumo da população, incluindo o uso crescente das chamadas canetas para emagrecimento.

Segundo Costa, esse movimento tem reforçado a procura por alimentos ricos em proteína.

“Isso tem tido um efeito e vem comprovar o que a gente sempre acreditou, que a proteína é a principal fonte de tudo, de energia do corpo humano como um todo. O futebol e essa mudança do hábito alimentar têm incentivado muitas vendas”, concluiu.

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