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Brasil busca acordo com a UE para manter exportações de carne bovina

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A indústria frigorífica acredita que as negociações entre Brasil e União Europeia permitirão a retomada das exportações de carne ao bloco antes da entrada em vigor das novas restrições sobre antimicrobianos, prevista para setembro.

A expectativa do setor se apoia no avanço das negociações sobre um protocolo para segregação de animais livres dos antimicrobianos vetados e na possível concessão de um período de transição pela UE.

Outro fator considerado relevante é a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações diplomáticas, movimento que pode contribuir para acelerar as tratativas.

Na quinta-feira (18), o CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Renato Costa, reconheceu que houve certa demora na reação da cadeia produtiva e do próprio governo diante das exigências europeias, já que a regulamentação não é recente.

Segundo ele, o cenário também exige maior participação da indústria farmacêutica veterinária para ampliar a oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos no mercado europeu.

“Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para ver se acelerava isso [negociações]. O presidente Lula agora, no G7, apresentou não só o nosso pleito. E [tem] também o trabalho que o Ministério da Agricultura está fazendo para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou.

Avanços sanitários

De acordo com o executivo, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de outros avanços sanitários conquistados recentemente, pode reforçar os argumentos brasileiros nas negociações.

A proposta de transição permitiria a implementação gradual do protocolo de rastreabilidade exigido pela UE, incluindo a comprovação da ausência dos antimicrobianos durante todo o ciclo produtivo do animal. Atualmente, o setor estima que esse monitoramento precisaria abranger cerca de 30 meses, período que vai do nascimento ao abate dos bovinos.

No entanto, o Brasil ainda não dispõe dessas informações de forma ampla e estruturada para atender às exigências até setembro.

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Setor cobra medidas mais rápidas

Na semana passada, a Abiec e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo federal a ampliação das restrições ao uso de determinados antimicrobianos. Até o momento, segundo a indústria, não houve resposta oficial.

Costa afirmou que a proposta teve como objetivo chamar atenção para a necessidade de ações mais efetivas diante do risco de perda de um mercado considerado estratégico para a rentabilidade das exportações brasileiras.

No entanto, a iniciativa recebeu críticas de pecuaristas e empresas do setor de saúde animal. Um dos principais questionamentos envolve a disponibilidade limitada de produtos substitutos no mercado brasileiro.

1,2 mil fazendas estão habilitadas para exportação

Renato Costa destacou que cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar carne bovina à União Europeia por meio da Lista Traces, cumprindo exigências de rastreabilidade, mas ainda sem atender às novas regras sobre medicamentos veterinários. Segundo Damian Lluna, representante da UE no Brasil, essas exigências já são conhecidas pelo setor há anos.

“A União Europeia tem, desde o início dos anos 2000, regras de proibição desses produtos. Já é obrigação a todos os produtores europeus desde 2022, e agora tem para países terceiros que queiram exportar para lá”, afirmou.

Mercado europeu tem alto valor agregado

Embora a União Europeia tenha absorvido apenas 3,5% das exportações brasileiras de carne bovina em 2025, o mercado possui grande relevância econômica devido à compra de cortes de maior valor agregado.

Neste ano, as vendas ao bloco somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas de carne bovina.

Por isso, um eventual bloqueio poderia reduzir a rentabilidade das operações exportadoras. Ainda assim, Costa avalia que os volumes embarcados poderiam ser redirecionados para outros mercados compradores, minimizando os impactos sobre o setor.

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