As negociações entre os Estados Unidos e Irã foram interrompidas neste domingo (21) na cidade de Bürgenstock, na Suíça, depois de novas ameaças de Donald Trump ao país.
O presidente norte-americano disse que o Irã deveria “impedir imediatamente” que seus aliados no Líbano “causem problemas”, referindo-se ao apoio do Irã ao grupo Hezbollah.
A declaração foi feita enquanto autoridades dos dois países participavam das negociações. Do lado norte-americano estavam o vice-presidente JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o assessor Jared Kushner. A delegação iraniana era formada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Suspensão nas negociações
Antes de deixar a negociação, Ghalibaf disse que os Estados Unidos precisariam controlar o tom das declarações, segundo a agência iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária iraniana. Ghalibaf ainda disse que o Irã poderia suspender o diálogo se não fossem respeitadas as regras do chamado Memorando de Entendimento de Islamabad.
O documento define a suspensão das operações militares em várias frentes, incluindo no Líbano, além do compromisso de evitar novos conflitos e respeitar a soberania libanesa.
Segundo a agência Tasnim, o Irã ainda pede o cumprimento de outra parte do acordo, que condiciona o avanço das negociações à aplicação de todas as regras que foram combinadas.
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Versões contrárias sobre as conversas
Poucas horas antes da saída dos iranianos, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse que as discussões haviam tido progresso. Mas a afirmação entrou em conflito com a declaração do Irã de que teria abandonado as conversas.
Até o momento, não há informação sobre uma possível retomada ou de um cancelamento total das negociações.
Tensão no Oriente Médio
O episódio acontece em meio a um aumento das tensões no Oriente Médio. Após ataques de Israel ao Líbano que deixaram dezenas de mortos no sábado (20), mesmo com a vigência de um cessar-fogo com o Hezbollah, o Irã voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz poderia ser fechado.
Autoridades dos Estados Unidos responderam dizendo que a passagem marítima segue aberta. Segundo os estadunidenses, dezenas de navios comerciais continuaram atravessando a região, transportando milhões de barris de petróleo para o mercado internacional.








