A gigante do setor de louças e metais sanitários Kohler encerrou a produção na única fábrica que mantinha no Brasil e também decidiu encerrar uma de suas marcas no país. A unidade, localizada em Andradas, no Sul de Minas Gerais, teve as atividades encerradas na última segunda-feira (31), afetando mais de 400 funcionários diretos.
A empresa americana Kohler atua na fabricação de produtos para banheiros e cozinhas. Com o fechamento da fábrica, a multinacional também vai encerrar a marca Fiori, adquirida quando entrou no mercado brasileiro.
A mudança faz parte de uma estratégia global para concentrar os negócios em produtos de maior valor agregado, especialmente nos segmentos premium e de luxo.
Fábrica recebeu mais de R$ 200 milhões
A Kohler chegou ao Brasil em 2014, quando comprou a Fiori e a fábrica localizada em Andradas (MG). Desde então, a unidade recebeu mais de R$ 200 milhões em investimentos e passou a produzir também itens da própria Kohler.
Antes da pandemia, a fábrica chegou a empregar cerca de mil pessoas e tinha capacidade para produzir aproximadamente 1 milhão de peças por ano.
No entanto, com o passar dos anos a companhia mudou sua estratégia. Segundo Roberto Riolobos Sanchez, diretor da Kohler para a América Latina, a fábrica brasileira estava concentrada principalmente na produção de itens standard, segmento marcado pela forte competição por preços.
Por que a fábrica foi fechada?
A decisão está relacionada à mudança de posicionamento da companhia. A Kohler pretende reduzir sua exposição ao mercado de produtos standard e aumentar a participação em segmentos premium e de luxo.
Esse mercado, segundo a empresa, apresenta maior valor agregado. Já os produtos mais básicos sofrem uma concorrência intensa baseada em custos e preços, sendo comercializados em uma dinâmica próxima à de commodities.
Nos últimos anos, a multinacional também ampliou sua atuação no segmento de alto padrão por meio de aquisições.
Entre 2023 e 2024, a companhia comprou a Kast, especializada em bacias e pias de concreto, e a Klafs, voltada para saunas. A empresa também investe no desenvolvimento de produtos considerados inteligentes.
Gigante quer crescer no mercado de luxo
Mesmo com o encerramento da produção nacional, a Kohler não pretende deixar o Brasil. A companhia vai manter no país as equipes responsáveis pela distribuição e importação de produtos e peças, além do escritório e das operações comerciais.
Uma das principais apostas está nas Kohler Signature Stores, lojas que funcionam como vitrines voltados ao público de maior poder aquisitivo.
Atualmente, a empresa possui 36 unidades no Brasil. A previsão é inaugurar outras quatro ainda em 2026 e mais dez ao longo de 2027.
A expansão ocorre paralelamente à redução da presença da companhia no varejo tradicional de materiais de construção, como os grandes home centers.
Produção será transferida para outros países
A decisão de fechar a fábrica brasileira também está relacionada à reorganização internacional da produção da Kohler.
Os Estados Unidos são o principal mercado da companhia, que vem adotando uma estratégia conhecida como nearshoring, que consiste em aproximar a produção dos principais mercados consumidores.
Nesse movimento, a empresa abriu novas fábricas no México, próximo à fronteira com os Estados Unidos. Uma dessas unidades tem capacidade para produzir cerca de 7 milhões de itens por ano.
Com o aumento da produção em outras regiões, a necessidade de manter a unidade de Andradas diminuiu.
A Kohler também passou a ter a possibilidade de importar produtos fabricados no México e na Ásia para atender diferentes mercados.
Outro fator considerado foram as tarifas de exportação para os Estados Unidos. Parte da produção brasileira era destinada ao mercado norte-americano, o que tornou a operação mais complexa.
O que acontece com a marca Fiori
A Fiori será encerrada após mais de uma década sob o controle da Kohler.
A marca foi comprada pela multinacional em 2014, junto com a fábrica de Andradas, e passou a fazer parte da estratégia da companhia no mercado brasileiro.
Com o fim da produção, a empresa inicialmente deverá concentrar a operação brasileira na marca Kohler.
Entretanto, a estratégia pode ser ampliada. Segundo a companhia, outras marcas de alto padrão que fazem parte de seu portfólio poderão ser trazidas ao Brasil nos próximos meses. Ao todo, o grupo possui 25 marcas.
Empresa também mira hotéis e imóveis de luxo
Outra frente de crescimento da Kohler no Brasil será a venda de produtos diretamente para grandes projetos.
A companhia pretende ampliar a presença em hotéis de luxo e empreendimentos residenciais de alto padrão, especialmente em projetos que buscam acabamentos diferenciados para banheiros e cozinhas.
A avaliação da empresa é de que existe espaço para aumentar a participação de produtos premium nesses empreendimentos.
Nesse modelo, a companhia busca apresentar os produtos em ambientes próprios, como os showrooms, ou seja, espaços físicos criados principalmente para exibir e apresentar produtos aos clientes, permitindo que os consumidores conheçam os acabamentos e as funcionalidades antes da compra.
Qual será o destino da fábrica em Minas Gerais?
O futuro da unidade de Andradas ainda não foi definido. Uma das possibilidades avaliadas pela Kohler é vender o parque industrial para outra empresa do setor.
Os funcionários afetados pelo encerramento terão um mês de licença remunerada enquanto a companhia negocia as condições com os sindicatos.
O fechamento ocorre em um período de dificuldades para o mercado brasileiro de louças e metais sanitários, marcado por menor demanda e margens mais apertadas.
A movimentação não é isolada. A Dexco, dona da Deca e uma das maiores fabricantes do setor no país, também fechou unidades de produção de louças sanitárias nos últimos anos.
Em 2023, a empresa encerrou as atividades de uma unidade em João Pessoa, na Paraíba. Em 2025, fechou outra fábrica em Queimados, no Rio de Janeiro.
Kohler continuará no Brasil
Apesar do encerramento da produção, a Kohler afirma que continuará apostando no mercado brasileiro e na América Latina.
A estratégia será baseada principalmente na importação, distribuição e comercialização de produtos de maior valor agregado.
A companhia também pretende ampliar a atuação em projetos de alto padrão e aumentar o número de lojas especializadas.












