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Gado avaliado em R$ 2 milhões ganha nome de cidade do interior de SP

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Com fêmeas que podem valer até R$ 2 milhões, a raça bovina Tabapuã leva o nome de uma cidade do interior de São Paulo. Foi na Fazenda Água Milagrosa, situada no perímetro urbano do município, que o gado ganhou as características que o tornaram conhecido na pecuária brasileira e no exterior.

Segundo Guilherme Tricca, técnico da raça que atua na região de São José do Rio Preto (SP), alguns exemplares fêmeas chegam a atingir esse valor comercial, enquanto machos podem ser avaliados em torno de R$ 1,25 milhão.

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O município que deu nome à linhagem é pequeno, contando com apenas 11.323 habitantes no Censo 2022 do IBGE. A história da raça, no entanto, é longa e começou lá na década de 1940, quando o médico Alberto Ortenblad, proprietário da fazenda, adquiriu os primeiros animais.

Como surgiu a raça Tabapuã

Frutos de cruzamentos entre o gado mocho nacional e animais de origem indiana, especialmente da raça Nelore, os bovinos se desenvolveram e se adaptaram rapidamente ao clima tropical e à vegetação de Mata Atlântica.

Gado Tabapuã é uma das raças bovinas brasileiras de maior destaque na pecuária nacional (Foto: Divulgação)

Embora a raça tenha se consolidado no interior paulista, suas origens são anteriores. De acordo com Tricca, Salviano Monteiro Guimarães criou as matrizes ancestrais na região de Planaltina (GO), entre 1903 e 1907.

“No correr dos anos, com apuramento do sangue das gerações seguintes foram preservadas as principais características zebuínas, surgindo, como resultado, os primeiros animais mochos de ascendência indiana no Brasil”, explica.

Décadas depois, o trabalho de seleção avançou na Fazenda Água Milagrosa.

“A padronização da raça Tabapuã ocorreu definitivamente nos anos de 1940, no município de Tabapuã (SP), onde as suas características básicas se firmaram e se mantiveram até a atualidade. A partir de 1943, Alberto Ortenblad desenvolveu em seu criatório as caracterizações finais que formataram a raça por meio de um planejamento zootécnico elaborado”, ressalta.

“O selecionador recolheu 100 matrizes Nelore separadamente para as experiências de cruzamentos com o touro T-0, como era chamado o reprodutor mestiço. Os resultados de todos esses trabalhos foram avaliados e apurados de forma pormenorizada”, acrescenta.

Reconhecimento oficial e desempenho nas pesagens

Em 1970, o Ministério da Agricultura recomendou à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) a inclusão do Tabapuã entre as raças zebuínas.

Dez anos depois, em 1980, o gado venceu 80% das pesagens de que participou. O reconhecimento definitivo como raça veio em 1981. O Tabapuã também foi o terceiro neozebuíno formado no mundo, depois do Brahman e do Indubrasil.

Segundo Tricca, a combinação de tecnologia e baixo custo de produção contribuiu para que a pecuária nacional alcançasse reconhecimento pela qualidade também em outros países.

“O Tabapuã é considerado a maior conquista da zootecnia brasileira dos últimos cem anos, segundo os especialistas”, afirma.

Ganho de peso e habilidade materna

Entre as características da raça estão a produção abundante de leite das fêmeas e a rapidez no ganho de peso. Os animais podem alcançar uma média diária de 1,3 quilo ao longo de 112 dias.

Tricca explica que a lactação constante garante a alimentação necessária para o crescimento vigoroso dos bezerros, que também contam com a proteção das mães.

Um estudo divulgado pela Superintendência Técnica da ABCZ, com mais de 3 milhões de animais pesados, apontou que o Tabapuã superou outras raças zebuínas no peso médio aos 205 dias de vida. O resultado se repetiu nos três regimes alimentares avaliados: a pasto, com suplementação e em confinamento.

A ausência de chifres, característica dos animais mochos, e o temperamento também estão entre os atributos destacados pelo técnico.

“Outra característica interessante no animal mocho é a ausência de chifre, com excelente temperamento, de muita habilidade materna, desmamando bezerros pesados, que vão atingir o peso final para abate mais rápido que outras raças zebuínas”, pontua Guilherme.

Quais cuidados a criação exige?

Para alcançar bons resultados, os criadores precisam manter atenção à saúde, à alimentação e à reprodução do rebanho, explica o especialista.

“Os cuidados a serem seguidos são todos que estão ligados a uma pecuária produtiva, como, por exemplo, o manejo sanitário dos animais na propriedade, a mineralização, a nutrição, o manejo de pastagens e a reprodução do rebanho com foco no melhoramento genético”, finaliza Tricca.

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