A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, contando com quase 10% das emissões globais de gases de efeito estufa na atmosfera. Os problemas passam não somente pelo descarte de resíduos como também pela contaminação das águas, o uso indevido de recursos e, principalmente, a utilização de materiais.
Com isso em mente, algumas empresas vêm investindo pesado em tecnologia e inovação para buscar alternativas a esta produção predatória. A INSIDER, marca de roupas brasileira, acaba de divulgar o resultado de uma pesquisa de um novo material sustentável que utiliza borra de café em substituição ao couro vindo de animais.
Testes conduzidos pelo setor de Pesquisa e Desenvolvimento da marca apontam que 50% do material se decompõe em solo em apenas 15 dias e dois terços em 30 dias, enquanto couro animal e sintéticos de PU e PVC não apresentaram qualquer alteração no mesmo período.
Além disso, o processo produtivo utiliza menos de 2 litros de água por metro quadrado, contra mais de 100 litros exigidos no curtimento do couro tradicional – uma redução superior a 50 vezes.
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Impacto ambiental
O biocouro é potencialmente biodegradável e estima-se que tenha pelo menos 75% de composição vegetal.
O desenvolvimento do material levou apenas três meses e passou por cerca de 30 protótipos até alcançar a textura, resistência e aparência semelhantes às do couro. Cada metro quadrado incorpora 3,8 gramas de borra de café seca, o equivalente a cerca de 30% do consumo diário médio de café moído e torrado por pessoa no Brasil.
“O desafio foi criar um material que entregasse estética e performance sem repetir os impactos ambientais do couro animal ou dos sintéticos plásticos”, afirma Karen Prado, líder de pesquisa e desenvolvimento da INSIDER.
A empresa deverá lançar em breve a primeira peça em biocouro, uma jaqueta com design exclusivo, que já está em produção.










