Os candidatos ao governo de Goiás apresentaram seus planos de governo à Justiça Eleitoral para poderem concorrer às eleições de 2026, como determina a legislação brasileira. Entre as propostas, sugeriram medidas para a Educação.
O iG analisou os planos de governo anexados pelas candidaturas e disponíveis no DivulgaCandContas, portal de dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Confira abaixo as prioridades apresentadas para a área.
Daniel Vilela (MDB)
- Ensino integral: ampliar as escolas de tempo integral em todas as regionais de ensino, com investimentos em infraestrutura, internet de alta velocidade, alimentação equilibrada e transporte escolar;
- Currículo e formação profissional: investir na formação continuada de gestores e professores, atualizar o currículo para incluir Projeto de Vida e competências socioemocionais e integrar o Ensino Médio Integral à Educação Profissional e Tecnológica, com cursos ligados às vocações regionais, como agrotecnologia, inovação digital e serviços;
- Educação inclusiva: ampliar o Atendimento Educacional Especializado, as Salas de Recursos Multifuncionais e os espaços multidisciplinares, além de oferecer tecnologias assistivas, acessibilidade física e pedagógica e transporte escolar acessível para estudantes com deficiência e transtorno do espectro autista;
- Primeira infância e alfabetização: apoiar os municípios na expansão da educação infantil, consolidar a alfabetização como política de Estado, recompor aprendizagens nos anos iniciais e ampliar a formação de professores em alfabetização e matemática. O documento aponta como objetivo alfabetizar 100% das crianças na idade adequada;
- Profissionais e gestão escolar: aperfeiçoar a carreira, manter a política de valorização remuneratória, recompor o quadro efetivo e realizar concursos públicos. O plano também prevê formação continuada, fortalecimento do Cepfor e implantação de uma política estadual de saúde, bem-estar e qualidade de vida para os profissionais da educação;
- Universidade Estadual de Goiás: modernizar e estruturar os câmpus da UEG, realizar concursos, valorizar docentes e técnicos administrativos e ampliar programas de graduação e pós-graduação, aproximando ensino, pesquisa e inovação das demandas regionais;
- Tecnologia e inteligência artificial: levar equipamentos e conectividade às escolas e adotar o uso pedagógico, ético e estruturado da IA. A tecnologia seria empregada para acompanhar o desempenho dos alunos, identificar defasagens e apoiar o planejamento dos professores, além de integrar ações de letramento digital e robótica educacional;
- Pesquisa e internacionalização: ampliar bolsas de iniciação científica, pós-graduação voltada à inovação e mobilidade internacional pelo Goiás Inova, além de fortalecer o Goiás pelo Mundo com intercâmbios, bolsas de mestrado, estágios de pesquisa, competições e parcerias com instituições estrangeiras.
Danilo Pinheiro (PCO)
O documento anexado à candidatura de Danilo Pinheiro é o programa nacional do Partido da Causa Operária. O texto não identifica o candidato, o vice ou o estado de Goiás e afirma que o partido não participa das eleições “para fazer promessas”, mas para apresentar reivindicações políticas. Para a educação, o PCO defende:
- Aumentar os recursos destinados à educação e reservar as verbas públicas exclusivamente ao ensino público;
- destinar parte da riqueza obtida com o petróleo à educação pública, além de saúde, moradia e infraestrutura;
- revogar as reformas que o partido classifica como ataques à educação e ao ensino público;
- acabar com os vestibulares, permitir o livre ingresso nas universidades e abrir imediatamente centenas de cursos de medicina, enfermagem e outras áreas da saúde em instituições públicas;
- estabelecer um piso salarial nacional de, pelo menos, R$ 8,5 mil para os professores e limitar a jornada da categoria a 30 horas semanais;
- realizar eleições diretas para diretores e outros cargos de gestão, colocar escolas e universidades sob o controle da comunidade escolar e estabelecer uma gestão universitária tripartite, formada por estudantes, professores e funcionários;
- estatizar o ensino privado;
- acabar com o que o documento chama de perseguição a professores e estudantes, encerrar a proibição do uso de celulares nas escolas e combater medidas classificadas pelo partido como censura;
- preservar a estabilidade dos servidores públicos, combater a terceirização, garantir estabilidade e isonomia aos contratados de forma precária e realizar concursos periódicos. Essas reivindicações são dirigidas a todo o funcionalismo, e não exclusivamente à educação.
Luciana Amorim (UP)
- Ensino integral e creches: efetivar um plano estadual de escola básica integral e garantir creches, educação infantil em tempo integral e atividades de contraturno para crianças e adolescentes, com atenção especial aos filhos de mães que estudam e trabalham à noite;
- Profissionais da educação: realizar um novo concurso público para suprir o déficit de profissionais e garantir um plano de carreira para os trabalhadores da rede estadual;
- Desmilitarização: interromper a expansão do modelo militarizado e desmilitarizar os colégios estaduais;
- UEG, pesquisa e bolsas: reestruturar a Universidade Estadual de Goiás, ampliar os investimentos na instituição, defender as carreiras de docentes e técnicos, fortalecer instituições de pesquisa e programas de pós-graduação e aumentar as bolsas para estudantes de graduação e pós-graduação, com atenção à Fapeg;
- Alfabetização, EJA e escolas rurais: criar um programa de erradicação do analfabetismo com participação de movimentos sociais e educacionais, ampliar a Educação de Jovens e Adultos e expandir e melhorar as escolas rurais;
- Expansão da rede: ampliar as escolas públicas de ensino fundamental, médio e técnico, incluindo COTECs e Escolas do Futuro, principalmente nas periferias das grandes cidades e no interior de Goiás, e integrar o ensino técnico a Centros de Serviços à população;
- Inclusão e Libras: promover o ensino da Língua Brasileira de Sinais nos colégios estaduais e contratar profissionais exclusivos e capacitados para acompanhar estudantes com deficiência e neuroatípicos;
- Conteúdos escolares: promover educação sexual voltada ao cuidado com a saúde, à prevenção da violência sexual e da pedofilia e ao respeito à diversidade, além de garantir o ensino de história da cultura afro-brasileira;
- Participação estudantil: fortalecer as organizações de alunos, preservar sua autonomia e incentivar a criação de grêmios estudantis;
- Acesso e permanência: implantar passe livre irrestrito para estudantes, distribuir absorventes nas escolas, criar centros regionais gratuitos de educação artística e desenvolver ações sobre direitos das mulheres e prevenção da violência de gênero para o público escolar.
Luís César Bueno (PT)
- Expansão do tempo integral: chegar a 350 a 370 escolas estaduais de tempo integral até o fim do mandato, com aproximadamente 90 a 110 novas unidades ou conversões. A meta é indicativa e depende da revisão da base inicial, da disponibilidade de profissionais, da infraestrutura e da capacidade fiscal do Estado;
- Critérios para novas unidades: priorizar municípios e bairros com maior vulnerabilidade social, demanda das famílias, risco de abandono e defasagem de aprendizagem, baixa cobertura do ensino integral, crescimento populacional e oportunidades profissionais regionais;
- Estrutura e jornada: adotar jornadas de sete ou nove horas, oferecer três refeições e exigir um Plano de Adequação antes da conversão de cada unidade. As escolas teriam bibliotecas, laboratórios de ciências e de tecnologia, quadras, espaços culturais, refeitórios, acessibilidade e internet;
- Formação profissional regionalizada: integrar o Ensino Médio à educação profissional, com cursos definidos pelas atividades econômicas de cada região. As áreas citadas incluem tecnologia, saúde e economia criativa na Grande Goiânia; indústria, química e logística em Anápolis; turismo e bioeconomia no Nordeste; mineração e energia no Norte; e agroindústria e automação no Sudoeste;
- Universidade dentro da escola: criar uma rede de extensão e inovação com UEG, UFG, UFCAT, UFJ, IFG, IF Goiano e outras instituições, respeitada a autonomia de cada uma. As atividades incluiriam robótica, programação, inteligência artificial, iniciação científica, meio ambiente, cultura, línguas e empreendedorismo;
- Professores e comunidade: capacitar professores e gestores para tutoria, educação profissional, tecnologia, práticas experimentais e gestão da jornada ampliada. Em áreas prioritárias, as escolas seriam articuladas a serviços de esporte, cultura, assistência social, saúde mental e prevenção da violência e poderiam receber atividades comunitárias nos fins de semana;
- Alimentação e acompanhamento: vincular, quando houver viabilidade jurídica e operacional, as compras de alimentos à agricultura familiar, cooperativas e pequenos produtores. O plano também prevê metas anuais de aprendizagem em Português e Matemática, redução contínua do abandono e avaliação pública dos resultados;
- Cronograma: realizar diagnóstico, selecionar as primeiras escolas e elaborar o plano de financiamento nos cem primeiros dias; iniciar conversões e formação de profissionais no primeiro ano; integrar educação profissional e universidades no segundo; avaliar os resultados no terceiro; e concluir a meta revisada no quarto ano.
Marconi Perillo (PSDB)
- Alfabetização e aprendizagem: garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade adequada, fortalecer a recomposição das aprendizagens e o acompanhamento individual e estabelecer metas progressivas para o Ideb e para a proficiência em Língua Portuguesa, Matemática e Ciências;
- Defasagem e abandono: combater distorções entre idade e série e defasagens de aprendizagem por meio de recuperação, acompanhamento e correção de fluxo, com medidas destinadas à permanência dos estudantes;
- Ensino integral: ampliar gradualmente a oferta, conforme a demanda das famílias, a estrutura das unidades e as necessidades regionais, com atividades culturais, esportivas, científicas e tecnológicas;
- Profissionais da educação: fortalecer carreiras, formação continuada e condições de trabalho, realizar concursos públicos para recompor os quadros da rede e retomar a titularidade dos professores, associando qualificação e aperfeiçoamento à progressão profissional;
- Infraestrutura e tecnologia: modernizar a estrutura física, pedagógica e tecnológica das escolas, ampliar a conectividade e retomar e expandir o modelo das Escolas Século XXI. Ciência, robótica, programação, recursos digitais e inteligência artificial poderiam ser utilizados como ferramentas pedagógicas;
- Escolas militares: ampliar a oferta de colégios militares de acordo com a demanda das famílias e as necessidades da rede estadual;
- Educação profissional: fortalecer e modernizar ITEGOs, COTECs e a Escola do Futuro, organizar os cursos conforme as vocações econômicas regionais e ampliar parcerias com empresas e instituições de ensino. O plano também cria o Programa Aluno Empregado, destinado à primeira experiência profissional de estudantes do Ensino Médio;
- Universidade Estadual de Goiás: restabelecer a vinculação constitucional de 2% da receita destinada à UEG, ampliar unidades e cursos e fortalecer a integração da instituição com municípios, empresas e organizações científicas e tecnológicas;
- Primeira infância e inclusão: instituir uma Autoridade Estadual da Primeira Infância e elaborar um plano estadual para crianças de até seis anos, articulando educação, saúde, assistência social e proteção de direitos, além de ampliar a acessibilidade e a inclusão das pessoas com deficiência;
- Basileu França e avaliação: ampliar o acesso às bolsas do Basileu França, incluir crianças que não atendem aos atuais critérios de idade e atualizar os valores dos benefícios. As políticas educacionais seriam avaliadas continuamente, com decisões orientadas pelos resultados dos estudantes.
Wilder Morais (PL)
Parte das medidas do plano de Wilder Morais é classificada como complementar e tem a execução condicionada a diagnóstico, disponibilidade orçamentária e capacidade operacional.
- Aprendizagem: acompanhar individualmente os estudantes, concentrar o reforço em alfabetização, Língua Portuguesa e Matemática, aplicar avaliações diagnósticas e oferecer recuperação durante o ano letivo, com relatórios de evolução destinados às famílias;
- Busca ativa: localizar estudantes com faltas repetidas ou que abandonaram a escola, identificar as causas e elaborar um plano individual de retorno, com participação da educação, saúde, assistência social e família;
- Ensino integral: ampliar as vagas onde houver demanda, estrutura e resultado pedagógico, priorizando áreas vulneráveis, famílias em que as mães trabalham e escolas com espaço para expansão. A jornada incluiria reforço, esporte, cultura, tecnologia e projeto de vida;
- Infraestrutura: publicar anualmente um mapa com as condições de banheiros, telhados, cozinhas, climatização, acessibilidade, quadras, internet e segurança elétrica de cada escola, acompanhado de cronograma de manutenção, responsável e registro das obras;
- Educação inclusiva: planejar regionalmente a oferta de intérpretes de Libras, cuidadores, mediadores e Atendimento Educacional Especializado, com banco de profissionais, formação continuada e informação às famílias sobre o apoio disponível;
- Professores e gestão: oferecer formação prática, apoio à gestão e reconhecimento relacionado à aprendizagem, à inclusão e à permanência dos alunos. O plano também propõe eliminar relatórios e cadastros duplicados e integrar sistemas para reduzir a carga burocrática de professores e diretores;
- EJA e currículo: manter ensino noturno e Educação de Jovens e Adultos onde houver demanda e integrar esporte, cultura, ciência, leitura e educação digital ao projeto pedagógico;
- Inteligência artificial: ensinar os estudantes a utilizar a IA para pesquisa, criação e resolução de problemas, diferenciando o uso legítimo de cópia, fraude e desinformação. Professores receberiam formação e ferramentas com proteção de dados e revisão humana;
- Ensino técnico e UEG: ampliar itinerários técnicos e cursos de curta duração ligados às vocações e vagas de cada região, compartilhar laboratórios com institutos federais, Sistema S, UEG e empresas e fortalecer a universidade estadual como rede de formação e pesquisa aplicada no interior;
- Creches e primeira infância: cofinanciar vagas municipais por meio do Cartão Creche, com pagamento estadual por vaga criada e ocupada, auditar as filas e integrar saúde, assistência, creche e proteção nos primeiros seis anos de vida. O plano também propõe preservar a matrícula e ajustar os horários de alunas que engravidarem;
- Alimentação, transporte e internet: aprimorar as compras de agricultores familiares destinadas às escolas, apoiar a recuperação de estradas utilizadas pelo transporte escolar, estruturar a Meia Passagem do Entorno para estudantes e trabalhadores e medir a qualidade da conexão de internet nas unidades;
- Segurança e diversidade: criar um protocolo estadual de prevenção e resposta a ameaças, violência, drogas e bullying nas escolas, construir ações educacionais com comunidades Kalunga, quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais e preparar unidades em áreas de risco para períodos de seca, calor, incêndios, enchentes e interrupções de serviços.









