A taxa de desemprego no Brasil subiu para 6,1% no trimestre, encerrado em março de 2026, informou o IBGE nesta quinta-feira (30), com a divulgação da Pnad Contínua.
O país registrou alta no desemprego no primeiro trimestre frente aos três meses anteriores, atingindo o maior nível desde maio de 2025, sob efeito sazonal. Ainda assim, o resultado representa a menor nível da série para trimestres encerrados em março, apesar da leve perda de fôlego do mercado de trabalho.
A taxa avançou para 6,1% nos três primeiros meses do ano, ante 5,1% no quarto trimestre de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse é o patamar mais elevado desde o trimestre encerrado em maio de 2025, quando o desemprego ficou em 6,2%, última vez em que o indicador esteve na faixa dos 6%. No primeiro trimestre de 2025, a taxa era de 7%.
O resultado ficou em linha com a expectativa de economistas.
Ainda segundo ela, o mercado sofre, no primeiro trimestre, uma fricção sazonal, mas, no geral, está melhor quando se observa ocupação, nível de ocupação e carteira de trabalho. Tudo isso está mais elevado do que no início de 2025
A renda média real atingiu R$ 3.722, maior valor da série, com crescimento de 1,6% no trimestre e 5,5% em um ano, em termos reais.
A expectativa é de alta gradual do desemprego em 2026, após mínimas históricas, em linha com a perda de ritmo da economia. Ainda assim, o mercado de trabalho tende a seguir resiliente.
O cenário sustenta a demanda das famílias e a renda, o que segue no radar do Banco Central, que na véspera voltou a reduzir a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50%.
No primeiro trimestre, o número de desempregados saltou 19,6% em relação aos três meses anteriores, alcançando 6,579 milhões de pessoas, mas registrou queda de 13,0% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Já o total de ocupados recuou 1,0% na comparação trimestral e cresceu 1,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, somando 101,976 milhões de trabalhadores.
Os empregados com carteira assinada no setor privado tiveram queda de 0,6% no trimestre, enquanto os sem carteira recuaram 2,1%.
Renda média renova máxima histórica
A remuneração média dos trabalhadores alcançou o maior valor da série histórica. O rendimento habitual foi de R$ 3.722, superando em 1,64% o trimestre encerrado em dezembro (R$ 3.662) e ficando 5,53% acima do registrado no mesmo período de 2025 (R$ 3.527).
Segundo Beringuy, o avanço ocorre em meio à redução do número de trabalhadores em atividades de menor remuneração, tanto no setor informal quanto em parte do formal.
A massa de rendimento real chegou a R$ 374,8 bilhões e também bateu recorde. Em um ano, houve crescimento de 7,1%, o equivalente a R$ 24,8 bilhões a mais. Na comparação com o trimestre anterior, o valor ficou estável.
O avanço do desemprego em março reflete a retração da ocupação em diferentes setores na comparação trimestral. Nenhum dos dez grupamentos analisados registrou crescimento no período, com destaque para as perdas no comércio (-1,5%, ou menos 287 mil pessoas), na administração pública (-2,3%, ou menos 439 mil) e nos serviços domésticos (-2,6%, ou menos 148 mil).
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, houve expansão em áreas como informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (3,2%), além da administração pública (4,8%), enquanto os serviços domésticos seguiram em queda.
O que é a Pnad Contínua?
Divulgada desde 2012, a pesquisa do IBGE cobre todo o território nacional e monitora continuamente indicadores do mercado de trabalho, como ocupação, desemprego, informalidade e rendimento da população. *Estagiária sob supervisão












