Os advogados do ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmaram que estão com expectativa para uma possível soltura de Vorcaro nos próximos dias. A defesa aguarda a análise desde setembro.
As informações são do jornal O Tempo. Após uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), realizada nesta terça-feira (3), os advogados acreditam que uma nova decisão pode sair na próxima semana.
Mesmo com a expectativa, não há nada oficial que confirme a previsão da defesa de Vorcaro, feita pelo advogado Sérgio Leonardo.
Além disso, o prazo de resposta não foi fixado pelo STF. Porém, de acordo com Leonardo, o gabinete do presidente Edson Fachin se comprometeu a acelerar a análise da solicitação.
Fachin assumiu provisoriamente a condução da Operação Compliance Zero e ficou responsável pelas decisões urgentes do caso, como pedidos de liberdade.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março. Ainda de acordo com a defesa, a prisão já se prolonga excessivamente e o prazo para revisão da medida venceu em 31 de agosto.
O último pedido de soltura do ex-banqueiro está em análise desde o dia 18 de setembro.
Defesa aciona comissão internacional
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), contra o Brasil.
Em um documento protocolado na terça-feira (27), em Washington, nos Estados Unidos, os advogados pedem que a entidade adote medidas urgentes para garantir a liberdade do empresário ou determinar que um juiz analise seu pedido de soltura em até cinco dias.
A defesa alega que os direitos humanos de Vorcaro estão sendo desrespeitados durante as investigações sobre as fraudes envolvendo o Banco Master. Entre os principais argumentos está a demora na análise do pedido de liberdade, apresentado em setembro, que, segundo os advogados, continua sem resposta há mais de 40 dias.
A petição aponta possíveis violações a cinco artigos da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. As normas tratam de direitos como a integridade pessoal, a liberdade, as garantias judiciais, a proteção da honra e da vida privada e o acesso à Justiça.
Os advogados ainda pedem que sejam interrompidos os vazamentos de informações protegidas por sigilo, que as conversas entre Vorcaro e seus defensores sejam retiradas do processo e que conteúdos particulares sem relação com a investigação deixem de ser usados.
Outro pedido é a preservação e a entrega dos dados originais extraídos do celular, para que seja possível verificar a integridade das informações.
Banco Master
O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o fundo, o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões.
O Banco Master, como é conhecido hoje, foi uma instituição financeira brasileira com sede na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Recebeu aprovação do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira a partir de 1990, dando origem ao Banco Máxima. Antes disso, em 1974, foi fundada a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.
Quem é Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, de 42 anos, ganhou projeção no mercado financeiro após assumir o antigo Banco Máxima e comandar a transformação da instituição no Banco Master. O empresário também ficou conhecido por investimentos fora do setor bancário e por um patrimônio que incluía jatos particulares.
Vorcaro entrou na mira da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Foi solto dias depois sob medidas cautelares, mas voltou a ser preso em 4 de março deste ano.
A nova etapa da investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A defesa do empresário nega irregularidades.








