A Colômbia treme todos os dias. O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país nesta segunda-feira (10) e deixou ao menos 132 mortos aconteceu em uma das regiões de maior atividade sísmica do planeta: o chamado Anel de Fogo do Pacífico.
A frequência impressiona. O Serviço Geológico Colombiano (SGC) registra, em média, cerca de 2.500 sismos por mês no país, aproximadamente 80 por dia. A maioria é fraca demais para ser percebida pela população e aparece apenas nos equipamentos de monitoramento.
O tremor desta segunda teve epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste colombiano. Segundo o SGC, a magnitude foi de 7,4 e a profundidade chegou a 103 km.
Mas por que a Colômbia treme tanto?
Colômbia fica sobre encontro de três placas tectônicas
O Anel de Fogo não é uma rachadura única que contorna o oceano. O nome identifica uma extensa faixa ao redor do Pacífico onde várias placas tectônicas se encontram. É justamente nessas bordas que se concentra grande parte dos terremotos e das erupções vulcânicas registrados no planeta. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) classifica a área como a região de maior atividade sísmica e vulcânica do mundo.
A Colômbia está em um ponto especialmente complexo desse mapa.
Três grandes placas exercem pressão sobre a região: Nazca, Sul-Americana e Caribe. No oeste colombiano, a placa de Nazca mergulha sob a Sul-Americana. Ao norte, a placa do Caribe também interfere sobre o território.
Esse processo de uma placa afundar sob outra recebe o nome de subducção. As rochas podem permanecer presas enquanto a tensão aumenta. Quando ocorre uma ruptura, parte da energia acumulada é liberada em forma de ondas sísmicas.
É o terremoto.
A localização também ajuda a explicar por que países da costa do Pacífico da América do Sul, como Colômbia, Equador, Peru e Chile, convivem historicamente com grandes tremores.
Estudos apontam risco de terremotos de grande magnitude
A ameaça não aparece apenas nos registros recentes.
Um estudo publicado em 2020 no Coastal Engineering Journal analisou a costa central e sul do Pacífico colombiano. Os pesquisadores destacaram a subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana e estudaram cenários de grandes terremotos capazes também de provocar tsunamis na costa. O trabalho lembra que a região já sofreu tsunamis destrutivos associados a terremotos em 1906 e 1979.
Outro trabalho, publicado em 2021 no Journal of South American Earth Sciences, mostrou que o risco colombiano não se limita ao litoral do Pacífico.

Pesquisadores analisaram dados de GPS coletados durante anos e identificaram, na costa do Caribe, uma área onde duas partes da crosta permanecem fortemente presas. A energia acumulada nesse tipo de trecho é acompanhada pelos cientistas porque pode ser liberada em terremotos de grande porte.
Os resultados reforçam uma particularidade colombiana: o país não sofre influência de uma única fronteira entre placas.
Estar no Anel de Fogo não permite prever outro terremoto
A grande quantidade de tremores também não significa que seja possível saber quando acontecerá o próximo terremoto forte.
Até hoje, não existe método científico capaz de apontar simultaneamente a data, o local e a magnitude de um futuro terremoto. O que os pesquisadores conseguem fazer é identificar áreas de maior perigo e calcular probabilidades a partir das falhas, da geologia e dos eventos registrados anteriormente.
Por isso, registrar cerca de 80 sismos por dia não significa que um grande terremoto esteja prestes a acontecer. Tampouco os pequenos tremores funcionam como um aviso preciso de um evento maior.
Eles mostram outra coisa: sob a Colômbia, as placas tectônicas estão constantemente exercendo forças umas sobre as outras.
Nesta segunda-feira, essa característica geológica voltou a produzir consequências devastadoras. O terremoto de magnitude 7,4 deixou mortos, feridos, imóveis destruídos e danos à infraestrutura em diferentes pontos do país.











