Nascido no Brasil, criado inicialmente nas fazendas de Minas Gerais e reconhecido por uma característica peculiar no modo de andar, o Mangalarga Marchador alcançou uma dimensão que ajuda a explicar sua presença cada vez maior no campo.
A raça ultrapassou a marca de 800 mil animais registrados.
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Segundo dados da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), o banco da entidade chegou a 805.608 animais registrados em 2026.
O número chama atenção não apenas pelo tamanho.
Em 1986, quando a associação completava 35 anos, existiam aproximadamente 100 mil animais registrados. Portanto, em quatro décadas, a base tornou-se cerca de oito vezes maior.
Raça continua crescendo em 2026
Mesmo com uma população já numerosa, novos animais continuam entrando no registro genealógico.
Somente entre janeiro e maio de 2026, a associação contabilizou 23.937 nascimentos.
Além disso, foram emitidos 25.816 registros no período.
Na prática, os números mostram que o Mangalarga Marchador não vive apenas da dimensão histórica de seu banco genealógico. A criação continua movimentando haras, exposições, competições e negócios.
De Minas Gerais para o Brasil

A história começou bem antes desses números.
O Mangalarga Marchador surgiu no Sul de Minas Gerais, a partir do cruzamento de cavalos de origem portuguesa com éguas utilizadas na região.
Com o passar das gerações, os criadores selecionaram características como resistência, temperamento e, principalmente, conforto durante os deslocamentos.
Foi justamente a marcha que se transformou em uma espécie de assinatura da raça.
Diferentemente do trote convencional, o andamento reduz determinados movimentos verticais do cavaleiro. Por isso, o Marchador ganhou espaço principalmente em cavalgadas e longos percursos.
Estrutura se espalhou pelo país

O crescimento também aparece fora dos criatórios.
Atualmente, a associação mantém 56 núcleos regionais, responsáveis por eventos, atividades de capacitação e integração entre criadores.
Somente nos cinco primeiros meses de 2026, foram realizados 162 eventos, dos quais 31 eram provas esportivas.
Assim, uma raça surgida nas propriedades rurais mineiras construiu uma estrutura que alcança diferentes regiões brasileiras.
Uma indústria em torno do cavalo

Há também uma cadeia econômica por trás dos animais.
Criatórios demandam veterinários, tratadores, ferradores, treinadores, transporte especializado, alimentação, genética, reprodução, medicamentos e infraestrutura.
Dados divulgados pela própria associação estimam aproximadamente 40 mil empregos diretos e mais de 200 mil indiretos relacionados à raça.
Portanto, o cavalo deixou há muito tempo de representar apenas tradição.
Virou negócio.
E os 805 mil animais registrados ajudam a dimensionar o tamanho que uma raça genuinamente brasileira conseguiu alcançar.
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