A valorização das cuidadoras municipais ganhou espaço no plenário da Câmara de Barreiras nesta quarta-feira (06/05), durante uma Audiência Pública dedicada a ouvir a categoria, reunir relatos sobre a rotina nas escolas e construir encaminhamentos para demandas que há anos fazem parte da realidade desses profissionais. O encontro tratou das condições de trabalho, da necessidade de regulamentação da função, da carga horária, da remuneração, do suporte psicológico, da formação continuada e do papel essencial desempenhado por quem acompanha estudantes com deficiência na rede municipal de ensino.
A audiência foi proposta pelas vereadoras Carmélia da Mata, Dra. Graça Melo e Silma Alves, após solicitação da própria categoria. Para as parlamentares, o debate marcou um passo importante para tirar a pauta da invisibilidade e colocá-la no centro das discussões da Casa Legislativa. Carmélia destacou que a inclusão nas escolas depende diretamente do trabalho das cuidadoras e cuidadores, reforçando que o reconhecimento precisa ser acompanhado de propostas concretas e compromissos institucionais. Dra. Graça Melo também ressaltou que, como pediatra, acompanha de perto a importância desses profissionais para crianças e famílias, especialmente no atendimento a estudantes com necessidades específicas.
O plenário recebeu cuidadoras, auxiliares pedagógicas, representantes do poder público, entidades, sindicatos e vereadores que acompanharam os depoimentos da categoria. Também participaram da audiência os vereadores Rodrigo do Mucambo, Zé do Sorvete, Beza, Delmah e Teteia, que ouviram relatos sobre adoecimento profissional, sobrecarga, falta de valorização salarial, ausência de regulamentação, dificuldades de diálogo em algumas unidades escolares e a necessidade de maior clareza sobre as atribuições exercidas dentro do ambiente educacional.
Entre as falas apresentadas, a cuidadora Patrícia Gomes relatou que atua desde 2013 e acompanhou o crescimento das demandas dentro das escolas, destacando que a categoria enfrenta dificuldades relacionadas à carga horária, direitos pendentes e situações que afetam diretamente o ambiente de trabalho. A auxiliar pedagógica Marilúbia Sales Souza pediu que a audiência não se encerrasse apenas no debate, reforçando a cobrança por reconhecimento, remuneração proporcional, apoio psicológico e respeito ao trabalho desenvolvido junto aos estudantes. Fabiana Ferreira também chamou atenção para a sensação de invisibilidade vivida por cuidadoras nas escolas e destacou que, muitas vezes, são esses profissionais que acompanham de perto os desafios emocionais, familiares e educacionais dos alunos.
A Secretaria Municipal de Educação foi representada pela subdiretora de Acessibilidade e Inclusão, Eliene Pereira de Souza Fernandes, que apresentou dados sobre o crescimento da demanda por acompanhamento especializado na rede municipal. Segundo ela, em 2021 Barreiras atendia 633 alunos com deficiência. Em 2026, esse número chegou a 1.987 estudantes. No mesmo período, o quantitativo de profissionais de apoio à educação especial passou de 161 para 613. Eliene destacou que o Centro de Estudos, Formação e Atendimento Educacional Especializado é formado, em grande parte, por mães atípicas e por pessoas que compreendem a vivência de famílias e crianças com deficiência e transtorno do espectro autista.
Ascom Câmara de Barreiras









