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Brasil terá reserva para produzir 10 milhões de doses contra febre aftosa

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O Brasil terá uma reserva de antígenos congelados capaz de permitir a produção de até 10 milhões de doses de vacina contra a febre aftosa em uma eventual emergência sanitária. O estoque fica em um laboratório da Biogénesis Bagó, em Garín, na região metropolitana de Buenos Aires, e integra uma parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Biogénesis Bagó.

Na prática, o país não mantém milhões de vacinas prontas. Em vez disso, armazena os antígenos, componentes utilizados na formulação do imunizante. Dessa forma, a estratégia permite manter uma reserva para situações emergenciais sem deixar grandes volumes de vacinas sujeitos ao vencimento.

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Vacina pode ficar disponível em até sete dias

Segundo o médico-veterinário Fabrício Bortolanza, gerente de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios Brasil da Biogénesis Bagó, após a identificação de um foco e o acionamento do banco, o laboratório pode descongelar o antígeno e formular a vacina em até quatro dias.

Além disso, a previsão indica que as doses possam chegar à região afetada em até sete dias.

Entretanto, a rapidez depende de toda uma estrutura preparada para iniciar a fabricação. Por isso, o laboratório precisa manter equipamentos, insumos, materiais de produção, frascos e outros componentes disponíveis para começar o processo sem atrasos.

Brasil deixou de vacinar contra a doença

A reserva ganha importância diante da nova situação sanitária do país. Em 2 de maio de 2024, o Brasil suspendeu a vacinação contra a febre aftosa em todo o território nacional. Posteriormente, em maio de 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal reconheceu o país como livre da doença sem vacinação.

Mesmo com esse reconhecimento, a vigilância continua. Afinal, a retirada da vacinação não elimina o risco de introdução do vírus no território brasileiro.

Por isso, o sistema sanitário mantém protocolos para detectar rapidamente suspeitas e adotar medidas de controle quando necessário. Ao mesmo tempo, os produtores precisam manter os cuidados de biossegurança e comunicar imediatamente qualquer suspeita às autoridades veterinárias.

Um foco pode afetar as exportações

Uma eventual ocorrência de febre aftosa pode atingir não apenas as propriedades diretamente envolvidas, mas também o comércio de carne bovina.

Isso ocorre porque um foco pode levar outros países a adotar restrições comerciais, dependendo da situação sanitária e dos protocolos de cada mercado. Consequentemente, uma resposta rápida passa a ter importância também para a cadeia exportadora.

Antes de produzir uma vacina emergencial, porém, as autoridades precisam identificar e caracterizar o vírus envolvido. Segundo Bortolanza, essa etapa representa um dos desafios para acelerar a resposta e envolve o Ministério da Agricultura e a Panaftosa.

Além disso, a vacinação não seria retomada automaticamente diante de qualquer suspeita. As autoridades sanitárias precisam avaliar a situação e definir as medidas de controle adequadas.

Banco de antígenos integra estratégia sanitária

Assim, a reserva de até 10 milhões de doses funciona como uma ferramenta dentro de uma estratégia mais ampla de preparação para emergências.

Ao armazenar os antígenos em vez de manter milhões de vacinas prontas, o sistema busca preservar a capacidade de resposta sem depender de grandes estoques de imunizantes com prazo de validade limitado.

Dessa maneira, o Brasil mantém uma alternativa para produzir rapidamente vacinas caso as autoridades determinem uma vacinação emergencial, enquanto preserva o modelo atual de país livre de febre aftosa sem vacinação.

Fonte: Giro do Boi.

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