Em 2026, o Brasil completa 20 anos sem registros de focos de febre aftosa. A conquista ocorre um ano após o país receber o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, consolidando um dos avanços sanitários mais importantes para o setor pecuário.
O último registro da doença em território brasileiro ocorreu em 2006, quando focos foram identificados nos estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul.
No entanto, especialistas alertam que o cenário exige atenção permanente. Segundo o auditor fiscal federal agropecuário João Cavallero, a doença continua presente em diferentes partes do mundo e pode voltar a atingir países que já haviam conseguido controlá-la.
“A febre aftosa continua sendo uma preocupação em diversos países. Mesmo nações que já haviam controlado a doença voltaram a registrar surtos nos últimos anos. Isso demonstra que a vigilância não pode ser relaxada”, observa.
Um exemplo é o Uruguai, país vizinho da região Sul do Brasil. A nação chegou a conquistar o certificado de área livre de febre aftosa sem vacinação, mas posteriormente registrou novos casos da enfermidade. Como consequência, retomou a vacinação dos rebanhos, prática que permanece em vigor até hoje.
Além disso, a preocupação com a circulação do vírus permanece em outras regiões do mundo. Em abril deste ano, a China comunicou a ocorrência de dois focos da doença em duas províncias. O episódio envolveu mais de 6 mil bovinos, dos quais 219 apresentaram sintomas compatíveis com a febre aftosa.
Diante desse cenário, Cavallero destaca que a condição sanitária alcançada pelo Brasil resulta de um esforço contínuo de monitoramento e controle.
“O status sanitário brasileiro não é permanente nem acontece por acaso. Ele depende de um sistema estruturado, baseado em vigilância ativa e análise de risco para impedir a entrada de enfermidades que possam comprometer a pecuária nacional”, explica.
Impactos econômicos preocupam o setor
A febre aftosa é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido. Devido à sua rápida disseminação, surtos da doença costumam gerar elevados prejuízos econômicos, principalmente pelos custos relacionados ao controle sanitário e pelas restrições impostas ao comércio internacional de carnes e produtos pecuários.
Por isso, representantes do setor defendem a manutenção dos investimentos em vigilância e prevenção.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos de Saúde Animal (Sindan), Emílio Salani, o retorno do vírus é considerado uma possibilidade concreta. O principal desafio, segundo ele, é garantir que o país esteja preparado para responder rapidamente a uma eventual emergência sanitária.
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Vizinhos seguem no radar das autoridades
Entre os países vizinhos, a maior preocupação dos especialistas está relacionada à Venezuela, que ainda não possui reconhecimento sanitário oficial para a doença e apresenta limitações na divulgação de informações sobre sua situação epidemiológica.
Por outro lado, a Bolívia recebeu há duas semanas o certificado de país livre de febre aftosa sem vacinação concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Status sanitário aumenta responsabilidade da cadeia pecuária
Na avaliação dos auditores fiscais agropecuários, a conquista do reconhecimento internacional amplia a responsabilidade de toda a cadeia produtiva na preservação da sanidade animal.
Além da atuação dos produtores rurais, o trabalho de fiscalização, monitoramento e controle de fronteiras é considerado essencial para evitar a entrada de enfermidades que possam comprometer a competitividade da pecuária brasileira.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo, a manutenção desse patrimônio sanitário exige investimentos permanentes.
“A credibilidade sanitária do Brasil é um ativo estratégico. A manutenção desse status depende de investimentos contínuos, estrutura adequada e valorização dos auditores fiscais federais agropecuários que atuam na proteção dos rebanhos, da economia e da imagem do país perante o mundo”, completa.
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