A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que garantiu ao partido o controle da Câmara e do Senado, provocou uma reação positiva no mercado global de energia limpa.
Nesta quarta-feira (4), ações de empresas do setor registraram fortes altas nas bolsas da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia, impulsionadas pela expectativa de mudanças na política energética americana.
Na Europa, a dinamarquesa Ørsted, especializada em energia eólica, chegou a subir 7%, enquanto a alemã Nordex avançou cerca de 5%. A fabricante de equipamentos solares SMA Solar registrou valorização de 11,6%. Também tiveram ganhos a portuguesa EDP Renováveis, com alta próxima de 4%, e a francesa Voltalia, que avançou quase 6%.
O movimento se repetiu em outros mercados. Nos Estados Unidos, as ações da First Solar e da Sunrun subiram cerca de 8% no pré-mercado. Na Ásia, a sul-coreana Hanwha Solutions teve valorização de 18,6%, enquanto a HD Hyundai Energy Solutions avançou 12,5%.
A reação dos investidores está diretamente relacionada à possibilidade de uma mudança de rumo na política energética dos Estados Unidos. Desde seu retorno à Casa Branca, Donald Trump tem adotado medidas para reduzir incentivos às fontes renováveis, especialmente solar e eólica, criando incertezas para empresas e investidores.
Políticas públicas em xeque
As políticas de Trump prometeram reduzir em 17% as instalações solares e em 20% as eólicas no país ao longo da próxima década. O impacto vai além da geração de eletricidade: envolve investimentos industriais, empregos e a capacidade de atender à crescente demanda energética do país.
O governo Trump justifica a retirada de incentivos às renováveis com o argumento de que a expansão acelerada das fontes solar e eólica compromete a estabilidade da rede elétrica e eleva os custos para os consumidores. Essas alegações, no entanto, são contestadas por representantes do setor.
Leia também: Cápsulas de café viram bicicletas e lapiseiras
A vitória democrata, no entanto, não significa uma reversão imediata das políticas em vigor, mas aumenta a possibilidade de maior resistência legislativa às medidas contrárias à energia limpa.
Para o mercado, o resultado eleitoral representa uma perspectiva de menor risco político e de condições mais favoráveis aos investimentos. Para o planeta, pode significar um novo impulso à transição energética, em um momento em que acelerar a redução das emissões de gases de efeito estufa é cada vez mais urgente.










