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A brasileira que morreu com coragem pilotando o seu avião

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Shadow
Nathalia Gadelha FilgueirasReprodução/ Internet

Esta é uma coluna difícil de ser escrita, pela emoção.

A brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras tinha, desde os 12 anos, o sonho de ser pilota de jato.

E conquistou a carteira de piloto aos 17 anos, mesmo ano em que terminou os estudos.

Desde então, dedicava-se a pilotar.

Mas, hoje, aos 20 anos, foi o seu último voo.

Quem viu o vídeo que mostra os momentos finais do voo que caiu na Flórida vai entender de maneira mais profunda o que estou escrevendo.

Nathalia era copiloto do jato que saiu do Texas.

Mas a parte final, desde o momento em que começou a se formar gelo nas asas até o desfecho, foi totalmente comandada por ela.

Era ela quem negociava com a torre da Flórida tudo o que precisava fazer.

A preocupação da jovem Nathalia em mudar a posição do avião quando começou a se formar gelo nas asas é angustiante.

Os momentos finais, quando ela começa a dizer “Mayday”, sinal de emergência utilizado em situações de grave perigo, fazem com que a gente, mesmo sabendo que o avião caiu, queira que tudo tivesse sido diferente.

A angústia da jovem Nathalia ao dialogar com a torre emociona até os mais duros.

A parte em que ela entende que perdeu o controle do avião e que vai bater, seguida pelo grito que dá no momento do impacto, é algo que me fez passar a noite pensando, sem conseguir dormir.

Nesse momento, quando você vê esse vídeo, começa a questionar a vida, a morte, as razões de tudo e tudo o que vem à mente.

Dentro do Learjet estavam o pai, a mãe, dois filhos, a babá e duas mulheres que iriam passear com a família.

Eles tinham o desejo de viajar para as Bahamas.

E, neste momento, na madrugada em que escrevo esta coluna, o vazio toma conta dos sentimentos, e a emoção passa a existir.

Não é possível deixar de chorar ao ver o vídeo e ouvir os gritos de Nathalia.

Estou escrevendo esta coluna em homenagem a ela.

Eu poderia ter escolhido tantos outros assuntos, mas este é o momento de Nathalia, a jovem de 20 anos que enfrentou a morte de frente.

Sem nenhuma possibilidade de mudar a cena.

O avião foi o seu anjo da morte.

E a morte não perde a viagem.

Neste momento, lembro que, em 2007, em São Paulo, um jato Learjet igual ao de Nathalia levantou voo do Aeroporto de Marte e caiu logo depois, ao fazer uma curva.

E aquele dia também era um Dia de Finados, exatamente como o dia de hoje.

A vida é tudo o que acontece conosco enquanto estamos fazendo outros planos.

Que assim seja.

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