A criação de galinhas no Pantanal ganha novas perspectivas com iniciativas voltadas à agricultura familiar e aos povos indígenas de Mato Grosso do Sul. Por meio de orientações técnicas, instalações adequadas e alternativas para a alimentação das aves, a Embrapa Pantanal busca melhorar a produção de ovos e ampliar a oferta de alimentos nas comunidades rurais.
Nesse contexto, o trabalho reúne medidas de manejo, prevenção de doenças e capacitação de famílias. Além disso, valoriza uma atividade tradicional nos quintais das aldeias, que contribui tanto para o consumo próprio quanto para a complementação da renda.
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Estrutura protegida melhora a criação de galinhas
Um dos pontos centrais da iniciativa é a implantação de estruturas apropriadas para a criação de aves. O modelo desenvolvido tem capacidade para abrigar até 100 galinhas poedeiras e exige investimento estimado em R$ 18 mil por unidade.
Com recursos da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), o projeto adquiriu materiais para a construção de quatro módulos. O primeiro, de uso comunitário, foi concluído na Terra Indígena Taunay-Ipegue, com a participação dos moradores. Os outros três módulos individuais ainda estão previstos.
Além da infraestrutura, a Embrapa publicou, em 2026, o Comunicado Técnico 125, com recomendações para a atividade. Dessa forma, as famílias têm acesso a orientações sobre instalações e procedimentos que ajudam a reduzir riscos sanitários na avicultura familiar.
Moringa e mandioca entram nas pesquisas sobre alimentação
Outro desafio da criação de galinhas está na alimentação das aves. Como o milho e o farelo de soja representam componentes importantes das rações, a busca por alternativas locais pode contribuir para reduzir a dependência de insumos externos.
Por isso, a Embrapa Pantanal desenvolve pesquisas com ingredientes como moringa e mandioca. As formulações em estudo poderão substituir até 50% do milho e do farelo de soja na alimentação das galinhas.
A proposta aproveita recursos disponíveis nas próprias comunidades e pode abrir novas possibilidades para a produção familiar. No entanto, essa substituição ainda está em fase de avaliação. A adoção gradual das formulações está prevista para 2027, depois de análises sobre custos, desempenho das aves e qualidade dos ovos.
Manejo sanitário ajuda a prevenir doenças
A produção de ovos também depende das condições de saúde das aves e da higiene dos espaços de criação. Nesse sentido, o projeto orienta as famílias sobre práticas de prevenção e cuidados diários.
As atividades incluem recomendações sobre limpeza, controle da circulação de pessoas e animais, identificação de sinais de doenças e uso de equipamentos de proteção. Além disso, os participantes recebem orientações sobre quando buscar assistência veterinária.
A prevenção da influenza aviária também integra as ações. Para isso, a iniciativa conta com a participação da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), que contribui com orientações sobre biosseguridade e vigilância sanitária.
Com esses cuidados, as famílias podem identificar situações de risco com mais rapidez e adotar medidas para proteger os plantéis.
Mulheres participam das atividades nas aldeias
A capacitação também envolve a participação das mulheres indígenas, que desempenham papel importante na organização das atividades e no cuidado com as aves.
Na Aldeia Córrego Segredo, localizada na Terra Indígena Taunay-Ipegue, em Aquidauana (MS), o trabalho busca reduzir a mortalidade das galinhas e aumentar a disponibilidade de ovos. Ao mesmo tempo, considera aspectos culturais relacionados à criação, já que as penas das aves também são utilizadas em artesanatos tradicionais do povo Terena.
Além das atividades presenciais, o projeto promove capacitação on-line para técnicos de assistência e extensão rural. Os conteúdos abordam biosseguridade, bem-estar animal, qualidade dos ovos, normas aplicáveis à atividade e procedimentos para situações de emergência.
Ciência e conhecimento local fortalecem a agricultura familiar
A iniciativa aproxima a pesquisa científica das necessidades das comunidades pantaneiras. Para isso, combina melhorias nas instalações, orientações sanitárias e estudos sobre alternativas de alimentação.
Assim, a criação de galinhas no Pantanal pode ampliar a oferta de ovos e contribuir para a segurança alimentar das famílias. Além do benefício direto no consumo, a atividade oferece possibilidades de complementação da renda e aproveitamento de recursos disponíveis nas próprias comunidades.
Dessa maneira, a avicultura familiar ganha espaço como uma alternativa de produção adaptada à realidade local. A integração entre conhecimento técnico e saberes tradicionais também fortalece a autonomia das comunidades e valoriza a produção de alimentos no território.
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