Após ser indicado pela Polícia Federal (PF) a defesa do banqueiro e ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a acusação é frágil e absurda. O indiciamento foi feito nesta quarta-feira (28).
Os advogados de Vorcaro também pediram o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva.
Em documento divulgado também nesta quarta-feira (28), a defesa alega que o indiciamento é frágil e absurdo. Além disso, eles afirmaram que as conclusões se apoiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas em tese, e não em demonstração técnica.
Em outros pontos, os advogados afirmam também que há inexistência de prejuízo ao Banco Regional de Brasília (BRB). De acordo com a defesa, os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília.
Além disso, a defesa ainda alega que o indiciamento está sendo feito antes do fim da investigação. Os advogados afirmam que parte do material apreendido não foi analisada e que pessoas relevantes ainda não foram ouvidas.
Por fim, a defesa pede o arquivamento do inquérito e a suspensão da prisão preventiva de Vorcaro para que o ex-banqueiro responda, podendo responder em liberdade.
Para os advogados, não há prova técnica de fraude ou de prejuízo e, assim, o indiciamento não se sustenta.
Indicamento
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes financeiras no Banco Regional de Brasília (BRB). As irregularidades foram investigadas na primeira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com relatório de indiciamentos, Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master, que causam prejuízos ao BRB.
“Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição“, concluiu a PF.
Vorcaro foi preso em março deste ano e está preso no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.
Além de Vorcaro, também estão na lista de indiciados o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Augusto Lima, ex-sócio do Master.
Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Banco Master
O colapso do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, abriu uma série de investigações da Polícia Federal e intensificou embates entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Cerca de 800 mil clientes aguardam o reembolso de investimentos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo o fundo, o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões.
O Banco Master, como é conhecido hoje, foi uma instituição financeira brasileira com sede na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Recebeu aprovação do Banco Central do Brasil para atuar como instituição financeira a partir de 1990, dando origem ao Banco Máxima. Antes disso, em 1974, foi fundada a Máxima Corretora de Títulos e Valores Mobiliários.
Quem é Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro, de 42 anos, ganhou projeção no mercado financeiro após assumir o antigo Banco Máxima e comandar a transformação da instituição no Banco Master. O empresário também ficou conhecido por investimentos fora do setor bancário e por um patrimônio que incluía jatos particulares.
Vorcaro entrou na mira da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. Foi solto dias depois sob medidas cautelares, mas voltou a ser preso em 4 de março deste ano.
A nova etapa da investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A defesa do empresário nega irregularidades.








