Uma vaca pode entrar no cio e não apresentar sinais suficientemente claros para chamar a atenção da equipe da fazenda. Quando isso acontece, o produtor pode perder o momento adequado para a inseminação. Nesse caso, a próxima oportunidade reprodutiva pode surgir apenas no ciclo seguinte, que dura cerca de 21 dias em média. Ao longo do rebanho, essas falhas podem aumentar os dias em aberto e prolongar o intervalo entre partos.
Segundo a Embrapa, o ciclo estral das vacas ocorre, em média, a cada 21 dias, embora esse período possa variar. A instituição também aponta limitações na observação visual, já que o comportamento de cio pode durar poucas horas e nem sempre coincide com o momento em que a equipe está acompanhando os animais.
Em publicação sobre pecuária de precisão, a Embrapa informa que a eficiência da observação visual pode ficar entre 50% e 70%. Além disso, o acompanhamento exige atenção dos funcionários e se torna mais difícil à medida que aumenta o tamanho do rebanho.
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“Quando um cio não é identificado, não estamos falando apenas de uma inseminação que deixou de acontecer naquele dia. A vaca pode permanecer aberta por aproximadamente mais um ciclo até que exista uma nova oportunidade, e, quando isso ocorre repetidamente, o atraso começa a se acumular dentro do rebanho”, explica a médica-veterinária e gerente da Nedap no Brasil, Anna Luiza Belli.
O impacto dos dias em aberto
Os dias em aberto correspondem ao período entre o parto e uma nova concepção. Portanto, quando a vaca demora mais para emprenhar, o próximo parto também pode ser adiado. Como consequência, o início do ciclo produtivo seguinte pode ocorrer mais tarde.
Por isso, um cio perdido não representa necessariamente uma queda imediata na produção de leite naquele dia. O efeito aparece ao longo do ciclo reprodutivo, principalmente quando a falha se repete em diferentes animais.
A Embrapa já relacionou a identificação inadequada dos cios ao aumento do intervalo entre partos e à redução de indicadores produtivos e reprodutivos. Em um estudo citado pela instituição, 44% dos cios existentes não foram identificados visualmente.
Além disso, fatores como raça, manejo, estado sanitário, nutrição e ambiente podem influenciar a manifestação do comportamento de cio. Assim, a equipe precisa observar os animais com frequência e considerar as características de cada rebanho.
Monitoramento amplia a observação
A observação visual continua sendo uma ferramenta importante no manejo reprodutivo. No entanto, a equipe não consegue acompanhar cada vaca durante as 24 horas do dia. A Embrapa destaca, inclusive, que aumentar a frequência das observações pode melhorar a identificação dos cios.
Nesse cenário, sistemas automatizados podem ampliar o acompanhamento. Segundo a Nedap, sua tecnologia monitora continuamente a atividade e os comportamentos das vacas relacionados ao estro e envia alertas para auxiliar a equipe na identificação dos animais.
“Não se trata de substituir o olhar do produtor ou da equipe. A tecnologia amplia essa capacidade. Enquanto as pessoas precisam dividir a atenção entre diversas atividades da fazenda, o sistema continua acompanhando cada vaca durante todo o dia”, afirma Anna Luiza.
O monitoramento também pode indicar animais que não apresentam ciclos reprodutivos dentro do esperado. A partir desses dados, a equipe pode avaliar cada caso e investigar possíveis problemas de manejo, saúde ou reprodução.
Segundo a representante da empresa, uma identificação mais eficiente dos cios e um melhor direcionamento da inseminação podem contribuir para reduzir cios perdidos e melhorar os indicadores reprodutivos. Essa avaliação, porém, representa a posição da empresa sobre sua tecnologia e não um resultado independente apresentado no material.
Na rotina da fazenda, portanto, o acompanhamento do cio depende de manejo adequado, registros reprodutivos e avaliação individual das vacas. A tecnologia pode ampliar as informações disponíveis para a equipe, mas a decisão sobre inseminação artificial continua dependendo da avaliação do rebanho.
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