Um programa de melhoramento genético de búfalos começou a utilizar biotecnologias reprodutivas em propriedades atendidas pelo Projeto de Pecuária do Sebraetec Amazonas. Na Fazenda Beatriz, em Itacoatiara, a iniciativa busca aumentar a produção de leite sem ampliar a área utilizada pela atividade.
Segundo o Sebrae Amazonas, o programa levou pelo menos três anos de planejamento. Nesse período, a equipe identificou genética adaptada às condições regionais e selecionou doadoras com características relacionadas à produção de leite e ao ganho de peso.
A estratégia busca aumentar a produtividade por animal e, consequentemente, elevar a produção por hectare. Dessa forma, o produtor pode buscar maior eficiência sem depender necessariamente da abertura de novas áreas de pastagem.
- Búfalos negociados ampliam mercado para criador
- Procura por búfalos amplia remates de primavera
Transferência de embriões acelera a seleção genética
Entre as tecnologias utilizadas está a transferência de embriões (TE). A técnica permite multiplicar a descendência de fêmeas selecionadas utilizando outras búfalas como receptoras.
Com isso, o programa pretende disseminar mais rapidamente características consideradas desejáveis no rebanho. No entanto, os resultados dependem da qualidade da seleção genética, da reprodução, do manejo e da avaliação dos animais ao longo do tempo.
O trabalho ocorre em uma região que já utiliza estratégias de melhoramento animal. Em 2020, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM) informou que Itacoatiara tinha 66 mil animais entre bovinos e bubalinos e destacou o uso de genética e tecnologias de manejo para aumentar a produtividade.
Fazenda aposta na produção de leite e queijo
Na Fazenda Beatriz, o criador Renato Silva Pessoa trabalha com búfalos há dez anos na região de Novo Remanso. A propriedade concentra a produção na fabricação de queijo coalho de búfala e na comercialização de novilhos precoces para abate.
Pessoa aderiu ao programa com o objetivo de melhorar o desempenho produtivo do rebanho.
“Nosso principal objetivo é melhorar geneticamente o plantel e aumentar significativamente a produção de leite nas mesmas condições de área e manejo. É uma combinação de genética, tecnologia, manejo e sustentabilidade para elevar produtividade e rentabilidade”, afirma o criador Renato Silva Pessoa.
Além disso, o produtor espera reduzir o tempo necessário para obter avanços no rebanho.
“Acreditamos que essas ferramentas podem acelerar o melhoramento e produzir animais mais produtivos. Queremos também compartilhar esse aprendizado com outros pecuaristas do Amazonas e de outras regiões do Brasil”, acrescenta.
O programa prevê a continuidade dos protocolos reprodutivos e o acompanhamento dos animais gerados. Assim, será possível verificar se as características buscadas, principalmente produção de leite e ganho de peso, aparecem de fato nas novas gerações.
Por enquanto, o programa ainda não apresenta resultados produtivos consolidados. A avaliação dos animais ao longo das próximas etapas será importante para medir os efeitos do melhoramento genético de búfalos sobre a produtividade do rebanho.
Além disso, a iniciativa pode gerar reflexos na cadeia de derivados do leite de búfala, especialmente na produção de queijos. Os resultados, porém, dependerão do desempenho efetivamente observado nos animais selecionados.
The post Genética busca aumentar leite de búfalas no Amazonas appeared first on Agro em Campo.








