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Governo não sabia de adesão de 14 países contra PCC e CV

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Lula durante discurso na ONURicardo Stuckert/PR

O Palácio do Planalto e o Itamaraty não sabiam que 14 governos latino-americanos acompanhariam os Estados Unidos em medidas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A articulação foi anunciada nesta terça-feira (22), após uma reunião liderada pelo presidente estadunidense Donald Trump (Republicano), em Nova York. A informação foi apurada pela colunista Mariana Sanches, do UOL.

O encontro ocorreu depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e parte da comitiva brasileira já haviam deixado a sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o UOL, Lula saiu por volta das 11h30, enquanto a reunião começou pouco depois das 14h, no horário local.

O Brasil não integra o Escudo das Américas, grupo criado pelo governo Trump em março.

Nesta terça, Trump pediu aos integrantes da coalizão sanções contra PCC, CV e outros grupos classificados pelos Estados Unidos como narcoterroristas.

Além dos Estados Unidos, participaram da declaração Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

Medidas podem atingir bens e vistos

O documento assinado pelos integrantes prevê congelamento de ativos, restrições migratórias e de vistos e responsabilização de pessoas que forneçam apoio material ou logístico às organizações incluídas na lista. A aplicação dependerá da legislação de cada governo.

Segundo a apuração do UOL, integrantes da diplomacia brasileira reconheceram que a articulação comandda por Washington amplia o alinhamento regional em torno da estratégia de Trump. O Brasil, porém, mantém posição contrária à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Horas antes da reunião, Lula havia defendido na ONU a cooperação internacional contra o narcotráfico, mas cobrou respeito à soberania dos países.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou o presidente durante o discurso.

Segundo o governo brasileiro, essa manifestação representa a posição de Brasília diante da pressão estadunidense. Lula defende troca de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e controle do tráfico de armas, mas rejeita medidas que possam abrir espaço para interferência externa em território brasileiro.

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