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Apex Partners pede recuperação judicial após crise financeira

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Crise financeira leva Apex Partners a pedir recuperação judicialDivulgação / Apex Partners

A Apex Partners, um dos maiores escritórios de assessoria de investimentos do Espírito Santo, pediu recuperação judicial. A medida busca reorganizar dívidas e preservar as atividades da empresa, que enfrenta uma crise financeira agravada por problemas de liquidez, perda de valor de ativos e questões de governança.

No pedido apresentado à Vara de Recuperação Judicial e Falência da Comarca de Vitória, a companhia afirma que a crise se desenvolveu ao longo dos últimos 18 meses e foi causada por fatores econômicos, operacionais e administrativos.

No mês passado, em 6 de agosto, a Apex afastou o presidente, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, após uma investigação preliminar apontar “inconsistências contábeis, gerenciais e financeiras” envolvendo a empresa e suas investidas. Na sequência, a companhia entrou com uma medida cautelar para se proteger de credores.

Segundo a Apex, o problema foi resultado da deterioração dos resultados, do aumento do endividamento e da dificuldade de transformar ativos em dinheiro em curto prazo. A empresa reconhece também  que os controles internos e a estrutura de governança não acompanharam o crescimento do grupo.

Juros altos e queda nas receitas

juros; calculadora; contas; dívidasFreePik/katemangostar

A companhia diz que a permanência dos juros em níveis elevados reduziu a procura por produtos alternativos, principalmente em investimentos imobiliários e empresas privadas.

Com menos captação, caíram receitas de estruturação, distribuição e gestão, além dos ganhos da área de assessoria.

O cenário ficou ainda mais difícil porque parte dos investimentos havia sido assumida sob garantia firme. Quando as captações esperadas não aconteceram, a tesouraria precisou usar recursos próprios para cumprir os compromissos.

Para reforçar o caixa, a empresa aumentou a utilização de dívidas, incluindo debêntures com taxas elevadas. A Apex chama o movimento de “efeito tesoura”: enquanto a geração de caixa diminuía, o endividamento e as despesas financeiras aumentavam.

Aquisições também pressionaram os custos

A crise aconteceu durante um período de expansão da companhia. As aquisições da Stark Investment Banking e da Contea Capital, concluídas em 2025, tinham como objetivo diversificar os negócios e ampliar a presença regional.

Porém, as receitas e sinergias esperadas não teriam acontecido no ritmo previsto. Com isso, os custos aumentaram antes que as novas operações começassem a gerar retornos que eram esperados.

A petição também cita gastos com distribuição de produtos, eventos e consultorias, além de investimentos que não apresentaram o resultado esperado.

Ativos perderam R$ 71,4 milhões em valor

Outro problema apontado foi a perda de valor de parte dos ativos da empresa. De acordo com a petição, uma carteira avaliada em cerca de R$ 261,5 milhões passou a ter valor estimado de realização de R$ 190,1 milhões no primeiro semestre de 2026. A queda foi de aproximadamente 27,3%, ou R$ 71,4 milhões.

Para a Apex, a redução dificultou a obtenção de dinheiro para cumprir as obrigações no curto prazo.

Pressão dos credores aumentou

A empresa afirma que a situação financeira já estava se deteriorando antes de agosto, mas com a divulgação dos problemas aumentou a pressão dos credores.

De acordo com a petição, o saldo das debêntures emitidas pela Rhino, em oito séries ativas, superava R$ 450 milhões em junho de 2026. Desse total, R$ 83,3 milhões já tinham sido solicitados.

Também havia pedidos de resgate de aproximadamente R$ 78,2 milhões, com datas críticas entre 12 de agosto e 30 de setembro.

A Apex afirma que uma corrida de credores poderia obrigá-la a vender ativos de forma acelerada, com descontos de até 60%. Por isso, a recuperação judicial é apresentada como uma forma de reorganizar os ativos e as dívidas e evitar uma perda maior de valor.

Governança também é alvo de mudanças

A companhia afirma que a administração anterior era centralizada, com decisões concentradas no administrador Fernando Antonio Kulnig Cinelli e no então diretor financeiro Eduardo Costa Constâncio Siqueira.

Após o afastamento de ambos, uma administração interina foi eleita. A nova gestão afirma ter adotado medidas como a separação de funções, contratação de assessoria financeira independente e abertura de uma apuração interna.

A petição também informa que foram identificadas transferências de recursos em favor de um administrador afastado. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 23 milhões. A empresa afirma que eventuais responsabilidades individuais serão apuradas em processos próprios.

Empresa afirma que negócio é viável

Mesmo com os problemas, a Apex diz que o grupo continua economicamente viável. A empresa afirma que o principal problema está no prazo das dívidas, concentradas no curto prazo, enquanto parte dos ativos precisa de mais tempo para ser transformada em dinheiro.

O grupo tinha em torno de R$ 17 bilhões em ativos sob supervisão, sendo R$ 5,2 bilhões sob gestão de recursos e R$ 11,8 bilhões na área de assessoria de investimentos.

A área de assessoria atendia 7.620 clientes e estava envolvida em 26 projetos imobiliários, operações de crédito privado e participações em empresas regionais.

Próximos passos

A estratégia apresentada prevê alongar os prazos das dívidas, reduzir despesas financeiras, reorganizar os pagamentos e vender ativos considerados não estratégicos.

A empresa também incluiu diversos veículos de investimento no pedido e defende que seus patrimônios sejam mantidos separados dentro do processo. O pedido de recuperação judicial ainda será analisado pela Justiça.

*Estagiária sob supervisão

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