MENU

Bois recebem abraços e comportamento surpreende cientistas

walmir-banner01
Shadow

Abraçar um bovino de centenas de quilos pode parecer uma experiência pouco convencional. Para dois pesquisadores nos Estados Unidos, entretanto, esse contato virou objeto de estudo e revelou um comportamento que voltou a chamar atenção nesta semana.

Dois bovinos da raça Holandesa participaram de sessões de interação com 11 pessoas em um pequeno santuário no estado de Nova York. Durante os encontros, os participantes podiam acariciar, escovar, alimentar e até abraçar os animais.

  • Peixe gigante é capturado com as mãos no Amazonas
  • Ayam Cemani: galinha chama atenção pela aparência e preço

O resultado chamou atenção porque os bovinos permaneceram mais próximos das mulheres e apresentaram maior envolvimento nessas interações.

Apesar da curiosidade, existe uma ressalva importante: foram apenas dois animais e 11 participantes. Portanto, o trabalho não permite afirmar que bovinos, de maneira geral, preferem mulheres.

O Agro em Campo explica o que os pesquisadores fizeram e por que o comportamento observado pode ajudar nos estudos sobre a relação entre seres humanos e animais de fazenda.

Quem eram os bovinos do estudo?

Foto: NYU Silver School of Social Work

Os protagonistas do experimento eram Magnus e Callum, dois machos Holandeses castrados, conhecidos tecnicamente como novilhos ou bois.

Eles foram resgatados ainda muito jovens de uma propriedade leiteira e passaram a viver no Surrey Hills Sanctuary, no estado de Nova York.

A pesquisadora Katherine Compitus, da Universidade de Nova York, e Sonya Bierbower, da Academia Militar dos Estados Unidos em West Point, conduziram o trabalho.

O objetivo inicial não era descobrir se os animais gostavam mais de homens ou mulheres. Na verdade, os pesquisadores queriam avaliar o potencial dos bovinos em atividades de interação assistida com seres humanos e, ao mesmo tempo, observar como essa experiência afetava os próprios animais.

Pessoas puderam abraçar e acariciar os animais

Mulher interage com bovino durante estudo sobre comportamento e contato com humanos
Foto: NYU Silver School of Social Work

O experimento reuniu 11 participantes com idades entre 13 e 79 anos. Seis eram do sexo feminino e cinco do masculino.

Cada participante permaneceu pelo menos 45 minutos com os animais.

Não havia uma tarefa rígida. As pessoas recebiam uma escova e alimentos que poderiam oferecer aos bovinos. A partir daí, tinham liberdade para decidir como interagir.

Durante os encontros, ocorreram aproximações, carícias, alimentação, escovação e abraços.

Os pesquisadores utilizaram uma ferramenta conhecida como Human-Animal Interaction Scale, que registra diferentes comportamentos apresentados durante o contato entre pessoas e animais.

Bovinos interagiram mais com mulheres

Foi durante essa análise que apareceu o resultado mais curioso.

Os bovinos passaram mais tempo próximos das participantes do sexo feminino. As mulheres também relataram uma ligação mais intensa com os animais.

Essa diferença não era o principal objetivo da pesquisa e surpreendeu os próprios autores.

Uma das hipóteses levantadas está no comportamento das pessoas. Mulheres podem ter iniciado mais contatos físicos ou demonstrado maior disposição para interagir afetivamente, enquanto alguns homens teriam sido mais contidos.

Nesse caso, os bovinos poderiam simplesmente estar respondendo aos sinais enviados pelos participantes.

Bois realmente preferem mulheres?

O estudo não permite chegar a essa conclusão.

Esse cuidado é fundamental.

A pesquisa envolveu somente dois bovinos e um grupo de 11 pessoas. Além disso, parte das informações sobre a interação dependeu da percepção dos próprios participantes.

Os pesquisadores reconhecem essas limitações e classificam o trabalho como um estudo inicial.

Também não foi possível determinar com segurança se os bovinos procuraram mais as mulheres ou se foram elas que buscaram maior proximidade com os animais.

Portanto, dizer simplesmente que “bois preferem mulheres” transformaria uma observação interessante em uma conclusão que a pesquisa não conseguiu demonstrar.

Bovinos podem criar vínculos com pessoas?

Outros trabalhos científicos já mostram que a relação entre bovinos e seres humanos pode mudar de acordo com as experiências vividas pelos animais.

Interações calmas, contato físico gentil e manejo adequado podem reduzir o medo e melhorar a relação dos bovinos com as pessoas.

Além disso, esses animais apresentam diferenças individuais de comportamento. Alguns são mais curiosos e sociáveis, enquanto outros mantêm maior distância.

No experimento de Nova York, Magnus e Callum podiam se afastar quando desejassem. Ainda assim, permaneceram próximos dos participantes durante diferentes momentos das sessões.

Os pesquisadores também não registraram os principais sinais comportamentais normalmente associados ao desconforto dos bovinos durante as interações.

Abraço em bovinos pode virar terapia?

Esse é justamente um dos caminhos investigados.

Cães e cavalos já aparecem com frequência em programas de interação assistida por animais. Bovinos, por outro lado, ainda são pouco estudados nesse tipo de atividade.

O tamanho pode parecer uma desvantagem, mas também cria uma característica particular.

Um bovino adulto consegue permanecer fisicamente no controle da interação e pode simplesmente se afastar quando não deseja continuar o contato. Para algumas pessoas, superar inicialmente o receio de chegar perto de um animal tão grande também pode fazer parte da experiência.

Ainda assim, os próprios pesquisadores defendem estudos maiores antes de qualquer conclusão sobre benefícios terapêuticos.

Por enquanto, Magnus e Callum deixaram uma pista interessante: a relação entre bovinos e seres humanos pode ser muito mais complexa do que um simples abraço consegue mostrar.

The post Bois recebem abraços e comportamento surpreende cientistas appeared first on Agro em Campo.

PUBLICIDADE