A Sorvelândia, marca tradicional de sorvetes gaúcha, teve o pedido de recuperação judicial analisado pela Justiça nesta sexta-feira (11) por dívidas de R$ 13,5 milhões. Segundo o processo, dentre esse valor, cerca de R$770 mil correspondem a processos e acidentes de trabalho. O pedido é conduzido pela advogada empresarial Aline Ribeiro e avançou para fase de constatação prévia. A Sorvelândia solicita a manutenção do maquinário e da energia elétrica durante o processo, já que trabalha com freezeres, conservadoras e alimentos congelados, sendo indispensável a preservação do material para manutenção das atividades. Anteriormente, a Justiça já havia concedido tutela cautelar para a empresa, com objetivo de impedir dano aos bens imprescindíveis para a fabricação dos sorvetes.
Dentre os motivos do acúmulo da dívida informados pela empresa, o processo cita efeitos econômicos da pandemia e das enchentes de 2024, aumento das taxas de juros, concorrência acirrada, encarecimento do crédito, sazonalidade e dificuldades inerentes ao setor. Segundo a documentação apresentada, o custo de embalagens plásticas e insumos relacionados chegou a subir aproximadamente 70% durante certo período, o que não poderia ser repassado ao consumidor para manter a competitividade.
Cronologia do processo
Segundo a advogada Aline Ribeiro, a Sorvelândia protocolou o pedido de recuperação judicial no dia 27 de agosto. Nesta sexta-feira (11), o juiz da Vara Regional Empresarial de Caxias do Sul analisou inicialmente o pedido e determinou a constatação prévia.
Com isso, na próxima semana será realizada uma análise para verificar a documentação e as reais capacidades de operação da empresa. Após essa etapa, será decidido se a recuperação judicial acontece.
De todos os valores, cerca de R$ 66,5 milhões não entram no processo de recuperação, conforme a advogada, pois correspondem a débitos com encargos e impostos.
Empresa nasceu na serra gaúcha
O processo tramita na Vara Empresarial Regional de Caxias do Sul (RS), cidade que é berço da Sorvelândia. A empresa atua na fabricação e venda de sorvetes há mais de 50 anos a partir de produção artesanal de uma família gaúcha.
A estrutura expandiu até o estado vizinho de Santa Catarina e também ampliou o portfólio para outros produtos gelados, como açaí, e itens de venda destinados ao varejo.












