Após a crise sem precedentes na Suprema Corte, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou neste sábado (05) uma proposta para proibir a atuação de policiais e militares nos gabinetes dos ministros da Corte como servidores cedidos.
Segundo informações do g1, a medida amplia uma restrição que já vinha sendo discutida no tribunal e inclui integrantes das Forças Armadas e de diferentes forças de segurança. A proposta é apresentada em meio aos recentes conflitos envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e à crise relacionada às investigações do caso Master.
Pelo texto apresentado por Gilmar, a proibição abrangeria:
- militares das Forças Armadas;
- Polícia Federal;
- Polícia Rodoviária Federal;
- polícias civis dos estados;
- polícias militares e corpos de bombeiros militares dos estados;
- polícias penais federal, estaduais e distrital.
Atualmente, dois delegados da Polícia Federal atuam como assessores de André Mendonça, que é relator de investigações consideradas sensíveis no STF, incluindo o caso Master, apurações sobre fraudes no INSS e o caso envolvendo Lulinha.
Alexandre de Moraes também conta com dois delegados da PF em seu gabinete. Ele é responsável pelo inquérito das fake news, desde 2019, no qual enquadrou Mendonça.
A permanência dos policiais nos gabinetes passou a integrar o conflito entre Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Uma das críticas à presença de delegados no STF é a possibilidade de influência sobre o andamento das investigações. A supervisão dos inquéritos, porém, cabe aos ministros responsáveis pelos casos.

Na terça-feira (1º), Gilmar Mendes se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a chamada “crise Master”, que envolve integrantes do STF e também a Polícia Federal. No mesmo dia, Lula também se reuniu com o presidente do STF, Edson Fachin.
Entenda a crise
Uma crise se instalou no Supremo Tribunal Federal (STF), tendo como protagonistas os ministros Alexandre de Moares e André Mendonça, que é relator do caso envolvendo o caso do Banco Master. Após Mendonça tornar público um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, Moraes reagiu pedindo a investigação do colega na conduta do caso. Diante do confronto, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que os envolvidos se manifestem e assumiu a condução da crise.
A novela começou na terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça derrubou na terça-feira, 1º, o sigilo de um relatório da PF que reúne mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, o ex-banqueiros Daniel Vorcaro, que está preso sob suspeita de liderar fraudes bilionárias no sistema financeiro, e o ministro Alexandre de Moraes. As mensagens, extraídas do celular de Vorcaro que foi apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, davam indícios de uma estrutura de privilégios e luxos oferecidos à família de Moraes bancada por Vorcaro.











