As investigações que resultaram na prisão de Deolane Bezerra, na manhã esta quinta-feira (21), apontam a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como um “verdadeiro caixa” do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Deolane foi presa no âmbito da Operação Vérnix, que apura os crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação foi deflagrada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio da Central de Polícia Judiciária de Presidente Venceslau, e o Ministério Público, por meio do GAECO – Núcleo de Presidente Prudente.
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No relatório policial acolhido pelo Ministério Público e utilizado como fundamento para o pedido de prisão preventiva da influenciadora, os investigadores atribuem a ela o papel central na suposta engrenagem financeira observada pela Operação Vérnix e afirmam que ela funcionaria como um “verdadeiro caixa” do PCC, ocultando recursos e permitindo sua circulação com aparência de legalidade.
O relatório afirma ainda que a “atuação pública e midiática favorece referida situação, transparecendo ares de legalidade”, em referência ao lado influencer de Deolane.
O iG tentou contato com a advogada de defesa de Deolane, sua irmã Daniele Bezerra, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.
A investigação
De acordo com a Polícia Civil, a ação deflagrada nesta quinta-feira é resultado de uma investigação que começou há pelo menos 7 anos, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, com dois sentenciados.
O material apreendido revelou a dinâmica interna do PCC, atuação de suas lideranças presas e possíveis ataques contra agentes públicos.
A partir disso, três inquéritos foram instaurados, sendo o primeiro com foco direto os dois sentenciados que estavam na posse dos manuscritos. Dentre os trechos analisados, chamou atenção a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa.

Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora com o grupo criminoso. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
Lado a Lado
Esta investigação resultou na Operação Lado a Lado, que revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Durante a fase ostensiva dessa operação, um celular foi apreendido e o conteúdo extraído do aparelho mostrou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa, além de indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane, a quem a PC se refere como influenciadora digital de grande projeção nacional.
A apuração ainda constatou que essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas daquela transportadora. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da investigação.
Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
Com base no conjunto de provas e a manifestação favorável do Ministério Público, foram decretadas 6 prisões preventivas, entre elas a de Deolane Bezerra, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados.
Diante de informações de que três investigados estariam fora do país, respectivamente na Itália, na Espanha e na Bolívia, a Polícia Civil representou pela inclusão deles na lista vermelha da Interpol.













