O petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira (04), em meio à troca de ameaças entre Estados Unidos e Irã e às dificuldades nas negociações por um acordo de paz entre os dois países.
A referência internacional Brent chegou a avançar mais de 5%, sendo negociada acima de US$ 114 por barril, o equivalente a cerca de R$ 570. Os contratos futuros atingiram máximas intradiárias após relatos não confirmados da mídia iraniana indicarem que dois mísseis teriam atingido uma embarcação americana, informação posteriormente negada pelo Comando Central dos EUA.
Um navio de guerra dos Estados Unidos teria sido impedido de atravessar o Estreito de Ormuz após ignorar um alerta do Irã. Ainda de acordo com a publicação, a embarcação teria sido atingida enquanto navegava próximo à costa de Jask.
A versão foi rebatida pelos norte-americanos. Em publicação na rede social X, o Comando Central afirmou que nenhuma embarcação foi atingida e que as forças dos EUA seguem atuando para garantir a segurança da navegação.
🚫 CLAIM: Iranian state media claims that Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps hit a U.S. warship with two missiles.
✅ TRUTH: No U.S. Navy ships have been struck. U.S. forces are supporting Project Freedom and enforcing the naval blockade on Iranian ports. pic.twitter.com/VFxovxLU6G
— U.S. Central Command (@CENTCOM) 4 de maio de 2026
O episódio ampliou a tensão no Estreito de Ormuz, um dos principais pontos estratégicos do transporte global de petróleo. O Irã afirmou que poderá atacar forças americanas caso entrem na área e declarou ter ampliado sua zona de controle sobre a rota, aumentando a incerteza no fluxo marítimo.
Em resposta à escalada, o comando unificado do Irã orientou navios comerciais e petroleiros a evitarem qualquer movimentação sem coordenação com as forças militares do país. Segundo o general Ali Abdollahi, a segurança do Estreito de Ormuz está sob controle iraniano e a passagem de embarcações depende de autorização prévia. Ele também afirmou que forças estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, poderão ser atacadas caso tentem se aproximar da região.
O estreito está parcialmente bloqueado desde 28 de fevereiro, início do conflito, para embarcações sem aval do regime iraniano. No início de abril, os Estados Unidos passaram a impedir a circulação de navios autorizados por Teerã, ampliando a disputa pelo controle da rota marítima.
No mercado, os contratos reagiram rapidamente. O Brent, que havia iniciado as negociações em queda a US$ 105,66 (cerca de R$ 528), avançou ao longo da madrugada até ultrapassar os US$ 110 (aproximadamente R$ 550), impulsionado pelas ameaças iranianas. Às 11h (de Brasília), o petróleo WTI para junho avançava 0,53%, cotado a US$ 102,17 (cerca de R$ 510), enquanto o Brent para julho subia 2,34%, a US$ 110,66 (em torno de R$ 553).
Antes da escalada do conflito, o Estreito de Ormuz já respondia por cerca de um quinto do transporte global de petróleo. Desde o fim de fevereiro, com os confrontos envolvendo EUA e Israel contra o Irã, o fluxo na rota foi impactado, contribuindo para a alta dos preços de energia, risco de escassez de combustíveis e aumento das pressões inflacionárias globais.
Além do cenário geopolítico, o mercado também reagiu ao anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+), que decidiu elevar a produção em 188 mil barris por dia a partir de junho, marcando o terceiro aumento consecutivo. Ainda assim, há dúvidas sobre a efetividade da medida, já que o conflito pode continuar limitando a oferta real.
Impacto da guerra no mercado (fim de fevereiro x início de maio)
Os efeitos da crise já são visíveis ao comparar os preços do fim de fevereiro com os atuais:
Petróleo WTI: saiu de US$ 67,02 ( R$ 335) no fim de fevereiro para US$ 107,14 ( R$ 535) no início de maio, alta de 59,86% Petróleo Brent: avançou de US$ 72,48 ( R$ 362) para US$ 114,22 ( R$ 571) no mesmo período, alta de 57,59% Ibovespa: passou de 188.787 pontos no fim de fevereiro para 187.318 pontos agora, queda de 0,78% PETR4: subiu de R$ 39,33 no fim de fevereiro para R$ 49,08 no início de maio,alta de 24,79% S&P 500: saiu de 6.878,88 pontos para 7.230,12 pontos no período, alta de 5,11%
O cenário mantém investidores em alerta e amplia a pressão sobre combustíveis e inflação global.
*Estagiária sob supervisão










