A atuação da Live Nation e de sua subsidiária Ticketmaster foi considerada monopolista por um júri, que entendeu que o grupo dominava o mercado de eventos ao vivo e a venda de ingressos. A ação foi movida por 34 estados e pelo Distrito de Columbia.
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O veredito foi resultado de um longo julgamento em um tribunal federal de Nova York, com depoimentos de executivos do setor musical e de entretenimento.
Entre os ouvidos no julgamento esteve o CEO da Live Nation, Michael Rapino, questionado sobre diversos temas, incluindo o colapso na venda de ingressos da turnê de Taylor Swift, em 2022.
O episódio, marcado por falhas e preços elevados no site da Ticketmaster, foi apontado como um dos principais motivos de insatisfação do público. Machael Rapino atribuiu o problema a um ataque cibernético.
Durante o processo, também vieram à tona mensagens internas de um funcionário, que classificava alguns preços como absurdos, chamava clientes de “muito estúpidos” e afirmava que a empresa estaria “os roubando descaradamente”.
A Live Nation Entertainment é a principal companhia do setor de eventos ao vivo no mundo, atuando na promoção de shows, festivais e grandes apresentações musicais em escala internacional. As vendas de ingresso são realizadas por meio da subsidiária Ticketmaster, considerada a maior plataforma do segmento.
As empresas se fundiram em 2010, gerando uma empresa combinada com um valor de mercado de mais de 2 bilhões de dólares. Na época, a fusão teve a aprovação do próprio Departamento de Justiça dos EUA.
A decisão final do julgamento pode gerar um custo de centenas de milhões de dólares às empresas, apenas considerando a cobrança indevida de US$ 1,72 (cerca de R$ 8,62 na cotação atual) por ingresso. Além disso, há possibilidade de multas, indenizações e outras penalidades que podem incluir a venda de parte dos negócios, como arenas e anfiteatros.
De acordo com a CNN, apesar da decisão, fãs e consumidores não devem perceber uma queda imediata nos preços dos ingressos ou nas taxas adicionais.
O juiz Arun Subramanian ainda deve conduzir uma segunda fase do julgamento para definir quais medidas poderão ser adotadas, incluindo a possibilidade de atender ao pedido dos estados para desmembrar a empresa ou implementar mudanças estruturais, como a venda de ativos.
Em comunicado divulgado na última quarta-feira (15), a Live Nation contestou a decisão e afirmou que pretende recorrer de “quaisquer decisões desfavoráveis” em processos pendentes.
“O veredito do júri não é a palavra final sobre este assunto. Os recursos pendentes determinarão se as decisões sobre responsabilidade e indenização serão mantidas”, diz o comunicado.
Live Nation nega monopólio e diz competir em mercado de shows
Segundo o New York Times, ao longo das sete semanas de julgamento, a Live Nation Entertainment afirmou que não atua como monopólio e que disputa o mercado de forma intensa, mas dentro dos limites legais.
A empresa destacou que o setor é formado por diferentes plataformas de venda de ingressos, promotoras de eventos, administradoras de arenas e equipes esportivas.
A Live Nation também negou a acusação de que pressionaria casas de shows a fechar contratos com a Ticketmaster sob ameaça de restringir acesso a turnês, rejeitando qualquer prática de coerção.
“Somos concorrentes acirrados”, disse o advogado David R. Marriott ao júri nas alegações finais. “Estamos tentando conquistar o mercado”.
No último ano, o grupo realizou cerca de 55 mil eventos e vendeu 646 milhões de ingressos em escala global.
Em comunicações a investidores, a empresa descreve seu modelo de negócios como um “ciclo virtuoso”, no qual o crescimento das turnês impulsiona receitas em áreas como bilheteria e patrocínios.
A companhia avalia que eventuais desinvestimentos determinados pela Justiça podem enfraquecer essa estrutura integrada e reduzir sua vantagem competitiva.







