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Aliado de Trump é acusado de influenciar deportação de brasileira

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Aliado de Trump é acusado de influenciar deportação de brasileiraReprodução

Um episódio envolvendo um aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levanta questionamentos sobre possível uso da estrutura governamental do país para fins pessoais.

Segundo documentos obtidos pelo jornal The New York Times, o empresário italiano Paolo Zampolli, conhecido por apresentar Trump à atual esposa, tentou interceder junto a autoridades migratórias para que sua ex-companheira, a brasileira Amanda Ungaro, fosse detida e deportada.

O caso ocorreu em junho do ano passado, quando Ungaro foi presa em Miami sob acusações de fraude em seu local de trabalho, um spa médico. De acordo com registros e relatos de pessoas com conhecimento do caso, Zampolli entrou em contato com um alto funcionário do órgão de imigração dos EUA, o Immigration and Customs Enforcement (ICE), alegando que a ex estava em situação irregular no país.

Amanda Ungaro e Paolo ZampolliAmanda Ungaro/ Flickr

Qual é o objetivo de Zampolli?

O objetivo, segundo as informações, seria facilitar uma disputa pela guarda do filho adolescente do ex-casal.

O funcionário procurado, David Venturella, teria acionado rapidamente o escritório do ICE em Miami para garantir que agentes assumissem a custódia de Ungaro antes que ela pudesse ser liberada sob fiança. Durante a comunicação, ele mencionou que o caso era relevante para alguém próximo à Casa Branca.

Ungaro acabou sendo colocada sob custódia migratória e, posteriormente, deportada ao Brasil, um desfecho que, segundo autoridades, poderia ter ocorrido independentemente da intervenção. Ainda assim, o episódio reacende críticas sobre possíveis excessos e favorecimentos dentro do sistema.

Em entrevista, Zampolli negou ter solicitado qualquer tratamento especial. Ele afirmou que apenas buscava entender a situação legal da ex-companheira. Já o Departamento de Segurança Interna dos EUA declarou que a brasileira foi deportada por estar com o visto vencido e responder a acusações criminais, negando qualquer motivação política.

Figura frequente em círculos próximos a Trump, Zampolli construiu sua reputação em Washington exibindo sua proximidade com o ex-presidente e sua família. Ele afirma manter amizade de décadas com o republicano e com a primeira-dama, Melania Trump.

Foi o próprio Zampolli quem apresentou Trump a Melania, então modelo eslovena, em 1998, durante um evento em Nova York. Desde então, ele transitou entre figuras influentes, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e empresários de alto escalão.

A trajetória do italiano também cruza com a do controverso financista Jeffrey Epstein, acusado de abusos sexuais. Embora Zampolli minimize a relação, seu nome aparece em documentos ligados ao caso Epstein.

Já Amanda Ungaro afirma que ficou chocada ao saber da possível interferência.

Após meses detida, ela optou por solicitar deportação voluntária ao Brasil, temendo perder a guarda do filho. O adolescente chegou a se mudar para o país, mas posteriormente retornou aos Estados Unidos para viver com o pai. A disputa judicial entre os dois segue em andamento.

O caso evidencia tensões entre interesses pessoais e o funcionamento das instituições públicas, em um contexto político já marcado por críticas à atuação de órgãos federais durante a gestão Trump.

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