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CPI e gastos triplicados: os escândalos envolvendo o BNDES

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Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Telles/BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) esteve envolvido em episódios negativos nos últimos anos, e agora mais um se volta contra a instituição. 

Pouco mais de 10 anos depois da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) reunir suspeitas sobre contratos bilionários feitos com outros países, dados mais recentes mostram que os gastos com publicidade do banco triplicaram a partir de 2023, já na gestão atual.

Entenda cada caso

O relatório final da CPI, elaborado pelo deputado Altineu Côrtes (PL), foi aprovado em outubro de 2019 por 19 votos a 10. O texto pediu o indiciamento de mais de 50 pessoas.

Entre elas estavam ex-ministros, como Guido Mantega e Antonio Palocci, ex-presidente e ex-diretores do banco e empresários que receberam recursos do BNDES.

O documento apontou suspeitas de desvio de bilhões de reais do banco público para favorecer empresas brasileiras que atuavam em obras e serviços no exterior. Também pediu a devolução desses valores, mais transparência nas operações do banco e a revisão de acordos de delação premiada feitos por empresários ligados às empresas citadas.

Desdobramentos na Justiça

Parte das investigações foi realizada na Operação Bullish, da Polícia Federal, que apurava supostas irregularidades em operações do BNDES para beneficiar grupos empresariais.

Nesse processo, a Justiça Federal em Brasília absolveu o ex-ministro Guido Mantega e o ex-presidente do banco Luciano Coutinho. 

O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal, entendeu que não havia provas suficientes para condenação. Segundo ele, não ficou demonstrado que Mantega tenha participado de decisões irregulares dentro do banco.

Também afirmou que as operações seguiram análises técnicas internas do BNDES e que não houve evidências de que diretores e equipes tenham atuado para cometer fraudes.

As conclusões da CPI e os desdobramentos na Justiça geraram interpretações diferentes. O deputado Pedro Uczai (PT) afirmou que não houve comprovação de corrupção e criticou o que considerou uma tentativa de desgastar o banco.

Já o relator Altineu Côrtes disse que a comissão identificou indícios relevantes de irregularidades. Como exemplo, citou um contrato ligado à compra de um frigorífico, por valor acima do normal: cerca de R$ 9 bilhões.

A reportagem não conseguiu contato com Guido Mantega e Antonio Palocci para comentar o caso, mas o espaço segue aberto.

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Gastos em publicidade

Os gastos do BNDES com publicidade cresceram nos últimos anos, segundo apuração do jornal O Dia.

Entre 2019 e 2022, foram R$ 70,8 milhões. Entre 2023 e 2025, o valor chegou a R$ 210,9 milhões, um aumento de R$ 140,1 milhões, o que representa alta de cerca de 197,7%.

Os números indicam uma mudança a partir de 2023, com mais investimento em campanhas institucionais, principalmente em televisão, jornais e outros meios de grande alcance.

Gasto quase 10 vezes maior

Em dezembro de 2022, o banco gastou R$ 3,8 milhões com publicidade. No mesmo mês de 2023, o valor subiu para R$ 30 milhões. Antes, havia meses sem gastos registrados. Depois de 2023, os pagamentos passaram a ocorrer com mais frequência, com valores maiores no fim de cada ano.

A reportagem procurou o BNDES para comentar os números, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Contexto e histórico

O BNDES é um banco público que financia projetos considerados importantes para a economia do país. Suas decisões seguem as diretrizes do Governo Federal.

O banco já apoiou empresas brasileiras em projetos de infraestrutura em outros países, principalmente na América Latina e na África. A ideia era incentivar a exportação de serviços e fortalecer empresas nacionais no exterior, o que sempre gerou criticas, especialmente da oposição, alegando que os recursos estavam sendo exportados enquanto poderiam ser aplicados no Brasil.

E algumas dessas operações geraram controvérsias. Países como Venezuela, Cuba e Moçambique tiveram dificuldades para pagar os contratos financiados, o que resultou em atrasos ou não pagamento das dívidas.

O banco também foi citado em investigações da Operação Lava Jato, que analisaram contratos, financiamentos e a relação com grandes empreiteiras.

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