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Wanderley: Ação em Riacho Sacutiaba celebra a Consciência Negra com saúde, cultura e memória quilombola

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O evento ganhou ainda mais cor e emoção com as manifestações artísticas preparadas especialmente pela comunidade.

A Escola Municipal Manoel Ramos de Oliveira, no território quilombola de Riacho Sacutiaba, foi palco de uma manhã especial na quinta-feira, 30 de outubro. A Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com a equipe de saúde e o CRAS, promoveu um grande encontro comunitário que uniu cuidados com a saúde, valorização da cultura negra e reflexão sobre a história de luta do povo quilombola local. 

Saúde mais perto da comunidade 

Logo cedo, a equipe do UBS Manoel Silva Galvão, composta pela técnica de saúde Cíntia e pelos agentes comunitários de saúde Lucivânia e José Antônio, montou um ponto de atendimento na escola. Foram realizados testes de glicemia capilar, testes rápidos para sífilis, hepatite C e HIV, além de orientações gerais de saúde e cadastro para Identificação das Barreiras para o Acesso e Permanência na Escola das Pessoas com Deficiência Beneficiárias do BPC. “Muitos moradores raramente vão à unidade básica. Trazer esses serviços até aqui facilita o cuidado, a prevenção e o acesso a direitos”, explicou a técnica Cíntia. 

Crianças enchem os olhos de cor e orgulho 

Enquanto os adultos faziam os exames, as crianças da comunidade desfilaram com roupas coloridas típicas, turbantes, colares e tecidos que simbolizam a beleza da negritude. O “desfile fotográfico” encantou a todos e reforçou, de forma lúdica, a importância de valorizar a identidade negra desde a infância. 

“Consciência Negra: Igualdade, Solidariedade e Respeito” 

A secretária de Assistência Social, Luciana Rodrigues, abriu oficialmente o evento destacando o projeto de incentivo à cultura afro-brasileira desenvolvido ao longo do ano, que culmina nas ações do Consciência Negra. “O tema deste ano é ‘Igualdade, Solidariedade e Respeito’. Queremos que cada morador e moradora se sinta visto, respeitado e parte ativa dessa construção”, afirmou. 

O vereador Walmir Nascimento esteve presente e parabenizou todas as equipes envolvidas – saúde, CRAS e Assistência Social – pelo trabalho integrado. “É assim que se faz política pública de verdade: perto do povo e com respeito à sua história”, declarou. 

A história viva de Riacho Sacutiaba 

Um dos momentos mais emocionantes foi o depoimento do presidente da Associação dos Remanescentes dos Quilombos Sacutiaba e Riacho Sacutiaba, Jonas Pereira dos Santos. Ele contou como a comunidade surgiu ainda na década de 1970, quando famílias já viviam na terra como “agregados” do antigo proprietário, o senhor Aécio. Com a chegada dos irmãos Elias e Eliezer Martins, que compraram a fazenda, muitas famílias foram ameaçadas e expulsas. Parte migrou, mas muitos resistiram. 

“Em 1968 os irmãos Martins voltaram com mais força. Foi um tempo difícil. Mas a gente não desistiu. Representantes viajavam a Brasília, batiam na porta da Fundação Palmares, lutavam dia e noite. Na década de 1990, finalmente, fomos reconhecidos oficialmente como comunidade quilombola”, relatou Jonas, sob aplausos da plateia. 

Palestra resgata Zumbi e reforça a Consciência Negra 

Encerrando a programação, a equipe do CRAS – representada pela secretária Luciana Rodrigues, pela coordenadora Isabela Saldanha, pela assessora Jusciara Guerra, pela psicóloga Kalline Matos, pela assistente social Suyane Marinho, pela gestora do Bolsa Família Nívia, pela cozinheira Jacira, pelo líder comunitário Jonas Pereira e pela diretora de Ensino do Campo, Ephifânia – ministrou uma palestra sobre a importância do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e a trajetória de Zumbi dos Palmares. 

“Zumbi não é só um nome. É símbolo de resistência, de quem preferiu a liberdade à submissão. Aqui em Riacho Sacutiaba a gente vive essa mesma luta até hoje: pela terra, pela cultura, pela dignidade”, destacou a psicóloga Kalline Matos. 

Cultura pulsante: poesia, histórias e samba de roda 

O evento ganhou ainda mais cor e emoção com as manifestações artísticas preparadas especialmente pela comunidade. Os estudantes recitaram versos e poemas de autores negros, emocionando o público com palavras de força e ancestralidade. Para as crianças menores, foram contadas histórias lúdicas cheias de ensinamentos sobre identidade e autoestima. 

Teve também apresentações de dança, capoeira e, é claro, o que ninguém queria que acabasse: o samba de roda. Com pandeiros, ganzás e vozes afinadas, os moradores das comunidades quilombolas do município mostraram que a tradição segue viva e pulsante, unindo gerações no mesmo círculo de celebração. 

Ao final do evento, crianças, idosos, lideranças e servidores tiraram fotos juntos, reforçando o sentimento de união. Para a comunidade de Riacho Sacutiaba, 20 de novembro de 2025 entra para o calendário como mais um dia de celebração da negritude, da saúde e, sobretudo, da resistência quilombola que nunca para. 

Por DCOM | Prefeitura Municipal de Wanderley 

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