A esposa do motorista de aplicativo Celso Novais, morto durante o atentado que tinha como alvo o empresário e delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Gritzbach, afirmou que espera que os responsáveis pelo crime sejam condenados. A declaração foi dada durante o julgamento dos três policiais militares acusados de envolvimento no caso, realizado nesta segunda-feira (22), no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Questionada sobre o sentimento da família diante do início do júri, Simone Novais foi direta:
“É Justiça. Que a Justiça seja feita. Que a punição exista”, declarou.
Além de Simone, a mãe de Celso, Aparecida Camilo, a irmã e outros familiares acompanharam a sessão. Moradora de Brasília, Aparecida viajou até São Paulo para assistir ao julgamento.
Celso deixou três filhos, atualmente com 5, 15 e 21 anos. Segundo Simone, a família ainda tenta reconstruir a vida após a tragédia.
O motorista saía de casa por volta das 7h da manhã e costumava retornar apenas às 22h. Além das corridas por aplicativo, também realizava transporte particular.
Os últimos momentos de Celso
Dias antes do crime, Celso comentou com a esposa que considerava seguro trabalhar no Aeroporto Internacional de Guarulhos por conta do forte esquema de policiamento existente no local.
No dia do atentado, cerca de 40 minutos antes de ser baleado, ele ligou para Simone informando que encerraria o expediente porque já havia conseguido o valor necessário para pagar a parcela de um consórcio.
Durante a conversa, a esposa contou que um dos filhos estava triste pela morte do cachorro da família e havia pedido comida japonesa.
Segundo Simone, Celso decidiu continuar trabalhando por mais algum tempo para conseguir pagar o jantar do filho.
Cerca de 40 minutos depois, ele foi atingido pelos disparos efetuados durante o ataque que teria como alvo Vinícius Gritzbach.
Mesmo ferido, Celso ainda tentou entrar em contato com a esposa, mas ela não ouviu a ligação. Pouco depois, recebeu uma chamada de um amigo dele informando que o motorista havia sido baleado.
Já dentro da ambulância, Celso enviou um vídeo para a família.
“Levei tiro, estou na ambulância”, disse.
Ele foi atingido na região do rim e sofreu lesões no fígado causadas pelos estilhaços dos projéteis.
Impacto na família
Desde abril, quando foi intimada para participar do julgamento, Simone está afastada do trabalho por recomendação médica. Funcionária pública e agente de saúde, ela afirma que não teve condições psicológicas de continuar exercendo suas atividades.
A esposa também contou que evita acompanhar notícias sobre os acusados e que não sabia sequer os nomes dos réus. O primeiro contato visual com eles ocorreu durante a sessão desta segunda-feira.
Anulação do julgamento
O julgamento acabou sendo anulado após uma discussão entre os advogados de defesa e o promotor de Justiça Rodrigo Merli Antunes. Com a saída da defesa do plenário, o Conselho de Sentença foi dissolvido e uma nova data deverá ser marcada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Após o cancelamento da sessão, Simone responsabilizou os advogados pela interrupção do julgamento.
Além de Simone, outras seis testemunhas chegaram a ser ouvidas ao longo do dia, entre elas o perito criminal responsável pelo caso, duas vítimas que ficaram feridas no atentado e dois capitães da Polícia Militar que participaram do cumprimento dos mandados de busca e apreensão nas residências dos acusados.













