Virginia Fonseca voltou a movimentar as redes sociais ao contar que foi diagnosticada novamente com alopecia areata. Em desabafo, a influenciadora revelou que essa já é a terceira vez que percebe falhas no couro cabeludo e que, nas situações anteriores, conseguiu reverter o quadro após tratamento.
O relato rapidamente gerou identificação e também dúvidas entre os seguidores. A alopecia areata ainda é pouco compreendida pelo público em geral e, muitas vezes, confundida com outros tipos de queda capilar ou até tratada apenas como uma questão estética.
Na prática, trata-se de uma doença autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar estruturas do organismo, nesse caso, os folículos capilares, responsáveis pelo crescimento dos fios. Esse processo interrompe o ciclo natural do cabelo, levando à queda em regiões específicas, geralmente em formato arredondado.
De acordo com o consultor capilar Leandro Pierre, o quadro pode surgir de forma repentina e sem aviso. “É comum que o paciente perceba uma falha localizada de um dia para o outro. Em muitos casos, há relação com fatores emocionais, como estresse intenso, ansiedade ou momentos de grande pressão, mas também existe influência genética”, explica.
A recorrência, como no caso de Virginia, é um dos pontos que mais geram insegurança. Isso acontece porque a alopecia areata não segue um padrão único. “Ela pode entrar em remissão e depois voltar. Existem pacientes que têm apenas um episódio na vida e outros que convivem com ciclos ao longo dos anos”, afirma o especialista.
Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que a alopecia areata pode afetar cerca de 1% a 2% da população mundial, atingindo homens e mulheres de diferentes idades. Embora não seja uma condição contagiosa nem represente risco direto à vida, o impacto emocional costuma ser significativo, principalmente pela mudança na aparência.
Entre os principais sinais de alerta estão falhas circulares no couro cabeludo, afinamento dos fios ao redor dessas áreas e queda repentina durante o banho ou ao pentear o cabelo. Em alguns casos, também podem ocorrer alterações nas unhas, como pequenas ondulações.
Leandro Pierre reforça que nem toda queda de cabelo deve ser associada automaticamente à alopecia. “Existem outras causas muito comuns, como eflúvio telógeno, queda por alterações hormonais, deficiência de vitaminas ou até processos inflamatórios no couro cabeludo. Por isso, o diagnóstico correto é essencial”, pontua.
O tratamento varia de acordo com o grau e a evolução do quadro. Entre as abordagens mais utilizadas estão medicamentos tópicos e injetáveis para controle da resposta imunológica, além de terapias que estimulam o crescimento capilar. Em paralelo, o controle de fatores emocionais também costuma fazer parte da estratégia.
Nos últimos anos, avanços na medicina têm ampliado as possibilidades de tratamento, com terapias mais direcionadas para modular o sistema imunológico. Ainda assim, o acompanhamento individualizado continua sendo fundamental.
O caso de Virginia ajuda a dar visibilidade a uma condição que, embora relativamente comum, ainda é cercada por desinformação. Observar mudanças no couro cabeludo e buscar avaliação profissional ao perceber sinais fora do padrão pode fazer diferença no diagnóstico e na resposta ao tratamento.











