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Vacas tokenizadas viram garantia para crédito rural na B3

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O agronegócio brasileiro deu um passo inédito ao transformar vacas leiteiras monitoradas em garantias digitais registradas oficialmente na B3, ampliando as possibilidades de acesso ao crédito rural. A primeira operação formal movimentou R$ 100 mil e foi estruturada pela fintech Target FIDC com tecnologia desenvolvida pela agtech brasileira Cowmed.

Na prática, produtores podem utilizar animais monitorados como garantia em operações financeiras, reduzindo a necessidade de vistorias presenciais e aumentando a confiança das instituições de crédito.

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Como funciona a tokenização das vacas

O sistema utiliza coleiras inteligentes e sensores instalados nos animais para coletar informações em tempo real sobre saúde, comportamento e localização do rebanho.

Esses dados são convertidos em um código digital exclusivo para cada vaca, conhecido como token. Esse registro eletrônico acompanha o contrato de financiamento e é oficialmente registrado na B3, funcionando como uma garantia financeira do ativo biológico.

Segundo Thiago Martins, CEO da Cowmed, a tecnologia permite que um bem físico seja integrado ao mercado financeiro de forma segura e compatível com as exigências de compliance das instituições.

“Transformamos um ativo real em um ativo digital monitorado continuamente. Isso cria uma nova alternativa de garantia justamente em um momento de maior restrição ao crédito no agronegócio”, afirma.

Tecnologia reduz riscos para bancos e instituições financeiras

Um dos principais desafios para aceitar rebanhos como garantia sempre foi a dificuldade de acompanhar a localização e as condições dos animais.

De acordo com Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, essa falta de informações fazia com que bancos aplicassem grandes descontos sobre o valor do rebanho.

Com o monitoramento em tempo real, o financiador consegue acompanhar a situação dos animais durante toda a vigência da operação, permitindo que a garantia seja avaliada mais próxima do seu valor de mercado.

Segundo Brenner, uma vaca avaliada em R$ 20 mil poderia ser aceita anteriormente como garantia por apenas R$ 8 mil. Com a digitalização e o acompanhamento contínuo, essa diferença tende a diminuir.

Produtor ganha maior acesso ao crédito rural

A nova modalidade oferece vantagens diretas ao pecuarista, como maior valor de garantia usando o mesmo rebanho, acesso ao crédito facilitado, recursos com livre utilização e redução da burocracia nas operações financeiras.

Dessa forma, os recursos podem ser utilizados para compra de máquinas, investimentos na fazenda, aquisição de insumos ou cobertura de despesas do ciclo produtivo.

Sistema também reduz riscos de fraude

Outro benefício apontado pelas empresas é a segurança jurídica da operação.

Cada animal recebe um código digital exclusivo registrado na B3, impedindo que o mesmo rebanho seja utilizado simultaneamente como garantia em diferentes financiamentos.

Além disso, caso algum animal morra durante o contrato, o produtor pode substituir rapidamente a garantia por outro integrante do rebanho.

Segundo a Cowmed, as operações já são estruturadas com aproximadamente 20% de animais adicionais justamente para reduzir riscos biológicos e manter a segurança do financiamento.

Mercado pode movimentar centenas de milhões de reais

Atualmente, a Cowmed monitora cerca de 100 mil vacas leiteiras em mais de 1 mil propriedades rurais.

O patrimônio estimado desses animais chega a aproximadamente R$ 2 bilhões.

A expectativa da empresa é que cerca de 20% desse rebanho utilize a nova modalidade de crédito, o que representa um potencial de R$ 400 milhões em operações financeiras.

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